22 de fevereiro de 2018
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Autonomia, quem é você?

Quando pais e professores chegam a uma nova escola, conhecem a sua proposta que geralmente gira em torno de alunos que hão de tornar-se cidadãos críticos e atuantes, autores de suas vidas e de seu estudo, etc etc etc. Geralmente, tudo isso é colocando no PPP (Plano Político Pedagógico) da escola, ou em seus estatutos, regimentos, missões, visões e coisas assim. Muito bom. Acredito que a banda deve tocar mesmo por aí. Mas, o que isso quer dizer? E melhor: como chegar nisso?

Bem, o maior instrumento, a maior competência que um aluno/ pessoa desenvolve para chegar nessas premissas excelentes é a autonomia. Porém, venho notado ao longo do tempo, que ela também é uma palavra que acabou ficando vazia de significado, de tanto que se repete. Infelizmente, aliás, muitas coisas nos discursos das escolas e professores acabam caindo nisso, dado ao uso sem ações.

O que significa autonomia numa escola e como isso se reflete na vida acadêmica dos alunos? E quando eles saem da escola?

A autonomia é a capacidade do indivíduo de levar sua vida com seus próprios movimentos. Quando um aluno é autônomo é capaz de cuidar de seus estudos e do que envolve seu desenvolvimento escolar de forma consciente e suficiente de forma que perceba onde estão suas forças e suas deficiências – e mais, como lidar com elas para que o sucesso da aprendizagem aconteça, ou seja, a relação entre o que se aprende na escola com o que acontece a sua volta.

Novamente, eu sei que parece um imenso blá blá blá, mas trata-se de algo que é facilmente visto e aplicado com tempo, dedicação e consistência – de todos os envolvidos no processo educativo e formador.

Pense nas crianças que estão chegando agora à Ed. Infantil. A escola será seu primeiro contato com o coletivo e com o público, pois, por mais que tenham experiências com a vida, elas estão baseadas no que foi construído em casa, no privado. Na escola, as regras valem para todos e esses mesmos todos são responsáveis pelo bem estar e boa convivência. Assim, professores e adultos da escola estão envolvidos num fazer para aquelas crianças tão pequenas comecem a desenvolver responsabilidades consigo e com os outros, de forma que possam, pouco a pouco, cuidar de si, de seu estudo e de sua comunidade.

As coisas vão desenrolando-se aos poucos. Cuidar de materiais de uso coletivo, de seus pertences… lavar um copo, conseguir tirar seu material da mochila e guardar novamente quando for o momento. Manipular livros e brinquedos com cuidado para que outros possam, em algum momento, fazer o mesmo.

Professores ainda trabalham a parte pedagógica para que os alunos possam expressar-se e compreender o que o currículo escolar pretende e fazer conexões com os conhecimentos que já têm. A vida ganha mais significados e entendimentos mais profundos.

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Quanto mais trabalhamos para os alunos, para que as crianças, adolescentes, tenham habilidades como ler, escrever e expressarem-se oralmente, estamos entregando a eles a chave de sua vida acadêmica, pois poderão, com a curiosidade que deve ser estimulada, ir mais além do que é proposto pela casa e pela escola.

O desejo verdadeiro dos bons professores é que os alunos tornem-se cada vez mais independentes. Que apenas ofereçam uma janela para que eles possam olhar para fora e nos dizer o que estamos enxergando. Bons professores fazem a mediação entre o conhecimento secular e o entendimento dos alunos. Não podemos entender que os alunos são livros em branco nos quais nós vamos escrever. Podemos ensinar a escrever, mas a obra é totalmente deles.

Novamente, um excelente ano letivo a todos!

Tathy

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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