18 de janeiro de 2018
Home | CULTURA POP | HQ | Ayá de Yopougon

Ayá de Yopougon

page10

Esqueça tudo que você já ouviu falar sobre a África. Este livro vai te dar uma nova visão.

Escrito por Marguerite Abouet e lindamente ilustrado por Clément Oubrerie, Ayá mostra o cotidiano de três garotas (Aya, Bintou e Adjoua) que vivem no bairro de Yopougon na Costa do Marfim, nos fim dos anos 70. Segundo a autora, as crônicas relatadas no livro é um pouco do que a própria Marguerite Abouet vivenciou, embora não seja uma biografia.

'Yop City', como é conhecido o bairro de Yopougon, na Costa do Marfim.
‘Yop City’, como é conhecido o bairro de Yopougon, na Costa do Marfim.

UMA VISÃO DIFERENTE DA ÁFRICA

Em um continente onde as únicas notícias que parecem vazar pro resto do mundo são as de guerra civil, fome ou Aids, Ayá propõe que lancemos nossa atenção exatamente para a parte que não é mostrada: uma África desprovida de clichês, um retrato social sensível, e uma história de amor e amizade.

As adolescentes Aya, Bintou e Adjoua vivem os mesmos dilemas de tantas outras jovens de sua geração, de qualquer parte do mundo: garotos, festas e dúvidas sobre o futuro. Enfim, o livro mostra justamente o que devia ser óbvio: que em qualquer parte do mundo, pessoas são pessoas e vivem uma vida como a minha e a sua.

O PAPEL DA MULHER

Ayá, a personagem que dá o nome ao título, se mostra diferente das outras mulheres de Yopougon, já que ela não se importa tanto em conseguir um marido. Ela prefere cuidar do pequeno Bobby e pensar no seu futuro. Ayá é uma menina independente e focada no que deseja, qualidades que são mostradas no decorrer da história.

Em compensação, suas amigas Bintou e Adjoua não parecem empenhadas em mudar o papel que a sociedade designou pra elas e não se preocupam tanto assim com estudos e uma carreira profissional. Elas estão predispostas a assumir o papel típico das mulheres de Yop City, que é o de ser dona de casa e cuidar dos filhos e marido. E isso mesmo tendo ao lado uma pessoa como Ayá, que dá exemplos de que as pessoas podem ser mais do que os outros esperam delas.

O grande objetivo da jovem é ser médica, e ela representa o papel da mulher que acredita que tem muito mais a oferecer e contribuir com a comunidade do que simplesmente aceitar o papel tradicional de dona de casa comum às mulheres do local.

Pôster do filme Ayá de Yopougon, lançado em 2013
Pôster do filme Ayá de Yopougon, lançado em 2013

Muitos dos personagens do livro enfrentam problemas relacionados a desonestidade e infidelidade, como perpetradores ou vítimas, e seus caminhos eventualmente se cruzam em mais de uma maneira (nem sempre boa, já que eles estão sempre sendo manipulados ou manipulando). Ayá, mais uma vez, se destaca, sendo o exemplo de lealdade e honestidade no meio disso tudo.

PRÊMIO E ANIMAÇÃO

Ayá de Yopougon ganhou prêmio de melhor álbum de estreia no Festival Internacional de HQ de Angoulême em 2006. Além disso, a graphic novel também virou filme, lançado em 2013 na França, e foi selecionada para o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) 2012.

Leitura obrigatória!

Sobre Bruno Auriema

Bruno Auriema
Ilustrador, publicitário e gamer nas horas vagas, além de fã e desenhista de HQs. Já publicou duas graphic novels no Brasil, além de alguns trabalhos nos Estados Unidos. No ramo dos games gosta de jogos de luta, ação e estratégia, mas tem mesmo uma queda pelos clássicos dos arcades dos anos 80 e 90. Já quando o assunto é HQs, gosta de quadrinhos alternativos e acompanha com muito interesse o que é produzido no Brasil.

Check Also

Série “As aventuras de Tintim” é lançada no Brasil em 3 edições de colecionador

Histórias foram publicadas originalmente a partir de 1929. No universo dos quadrinhos, poucos autores conseguiram ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *