21 de agosto de 2017
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Bela, recatada, do lar e de 1950

Na ultima semana a revista Veja fez uma matéria com Marcela Temer, esposa de Michel de Temer, cuja chamada a definia como: bela, recatada e do lar. O que gerou uma campanha virtual onde várias mulheres postaram fotos fazendo coisas que a sociedade acredita não serem para uma mulher “de bem”.

É importante, antes de mais nada, deixar claro que o protesto das mulheres nas redes sociais, não foi contra mulheres “recatadas e do lar”, mas sim, contra a ideia de que só essas mulheres tem valor. Afinal de contas, o feminismo nada mais é do que o direito de escolha sobre nossas próprias vidas. Então, não há nada de errado em querer ser uma mulher do lar, ou em ter uma família tradicional, se essa foi uma escolha da mulher, se não houve pressão ou imposição por parte do parceiro ou da família ou seja La quem for. Superado isso, vamos prosseguir!

O assustador foi a tentativa da revista em criar um estereótipos de mulher perfeita. Como se no imaginário popular existissem apenas dois tipos de mulher, a “bela, recatada e do lar”, representada pela mulher serviu, à sobra do seu homem  e a “louca”, representada por todas aquelas que questionam regras de comportamento ideal, aquela cujos hormônios não permitem que ela raciocine com clareza.

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E o surgimento desse ideário representado por Marcela Temer, trás para o mundo feminino uma perda inestimável, afinal de contas a política é feita de símbolos. E a matéria tem como finalidade criar um ideal de mulher, a primeira dama ideal, ressaltando as qualidades da mulher perfeita para a política brasileira. E essa tentativa da criação de uma mulher ideal é muito perigosa, ainda mais quando esse ideal trás a mulher à sombra, nunca à frente.

Se lermos as entrelinhas, a matéria tinha como objetivo fazer uma oposição ao que a presidenta Dilma representa. Uma mulher cujo slogan da ultima campanha dizia “Coração Valente”, enaltecendo sua força como característica principal, o que está  fora do padrão imposto do que se entende como uma mulher deve se comportar. Deixando bem claro o lugar que devemos ocupar na política, de preferência à sombra: que sejamos vice, e não presidenta. Que sejamos “primeira-dama do lar”.

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Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

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