21 de janeiro de 2018
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Black Mirror e seu futuro distópico

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A estreia da segunda temporada de Black Mirror vem com um assunto assustador. Martha (Hayley Atwell) perde seu namorado Ash (Domhnall Gleeson) em um acidente de carro e tem muitos problemas para superar o luto. É então, que descobre um serviço que permite que ela mantenha contato com o falecido e em uma versão avançada oferece até um robô idêntico ao seu namorado. No entanto as coisas não saem tão bem como ela gostaria. Essa história traz o desesperado avanço tecnológico tentando cobrir o luto e a tristeza das pessoas, mas claro, sempre pensando em gerar lucros.

O segundo episódio, que eu particularmente considero o melhor de todos, aborda o tema do voyeurismo criado por reality shows. Victoria (Lenora Crichlow) acorda em um local estranho e não se lembra de nada, busca desesperadamente descobrir onde ela está e o que está acontecendo e, mais ainda, porque todas as pessoas que ela encontra na rua não interagem com ela, somente ficam filmando todos os passos dela ou ainda querendo matá-la. Não vou contar o final porque é surpreendente e vai deixa-lo sem fôlego, vale muito a pena ver.

O último episódio é sobre Jamie Salter (Daniel Rigby), um comediante fracassado que dubla um urso animado chamado Waldo, que fazem parte de um programa de comédia ao estilo Saturday Night Live. Jamie vê sua vida mudar quando Waldo têm a oportunidade de entrevistar o candidato político Liam Monroe (Tobias Menzies). Com seu humor ácido e até mesmo agressivo, Waldo se torna uma sensação da noite para o dia. Jamie, se envolve em uma trama política quando seu personagem se candidata a um cargo no senado. Ele retrata de maneira sarcástica como as pessoas são fascinadas por personagens e como as figuras cômicas que vemos na mídia vem ganhando uma certa relevância e tornando-se ícones de uma geração.

Black Mirror, lançou também um especial de Natal com um único episódio. Que se passa na época do Natal. Dois homens estão confinados em uma casa numa área gélida e contam 3 histórias sobre desastres tecnológicos que ocorreram em suas vidas. A primeira história é sobre Matthew (Jon Hamm), que fala sobre seu emprego no qual ajudava homens a conquistarem mulheres, usando um dispositivo que o mostrava a visão de seus clientes e possibilitava através de uma espécie de ponto eletrônico falar e orientar cada passo. A segunda história consiste na transferência de consciência de uma mulher para um código que a simula, uma espécie de clone que funciona como uma administradora de sua vida orientando os passos a serem seguidos através de uma agenda. A terceira história é sobre Joe Potter (Rafe Spall) e seu casamento malsucedido.  Evitarei aprofundar mais nessa história para não estragar a experiência de quem ainda não assistiu, pois essa história é a chave para entendermos todo o episódio e o porquê do confinamento dos dois interlocutores na casa. Mas vale levantar um questionamento: Você já imaginou como seria se pudéssemos bloquear uma pessoa de nossas vidas, como fazemos no facebook? E em como seria crescermos em um mundo no qual conseguimos fugir de qualquer conflito apertando apenas um botão e transformando alguém em um vazio digital?

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Apesar do futuro distópico de Black Mirror parecer distante demais, essas histórias são apenas fábulas da vida real – mesmo com analogias pesadas e exageradas – demonstram as coisas que já vivemos e o ponto em que elas podem chegar (eu, sinceramente, espero que não) se não começarmos a pisar no freio e a rever nossos conceitos.

Ficou entusiasmando? Todos os episódios estão disponíveis no Netflix, corre lá e nos conte sua experiência ao assistir.

Sobre Tais Andrade

Formada em RH, Hoteleria e tantas outras coisas, mãe do Enzo e a adulta com espírito mais jovem e descolado que eu conheço. Gosto de me manter por dentro de todas as novidades. E por último, mas não menos importante, amante de séries de TV.

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