18 de dezembro de 2017
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Começar a ler – ler para sempre

O processo de leitura é um dos mais complexos do cérebro humano. O trabalho é pegar um código convencionado – a escrita da língua – e decodifica-lo, para poder compreender a mensagem. Geralmente é nesse último estágio que a coisa se complica. Entender a mensagem de um texto requer diversas habilidades: vocabulário, contexto, sintaxe. Não é fácil, não é simples, porém, se você está lendo este texto, você já esteve lá. Talvez não se lembre do processo todo, quiçá, guarde na memória a primeira vez que a sopa de letrinhas fez sentido. É uma conquista e tanto. Assim, por que apressamos nossas crianças para ler cada vez mais cedo?

Eu sei, eu sei. Pessoas têm ritmos diferentes na aprendizagem. Além disso, há a ideia de que somos mais levados a determinados tipos de “inteligência” do que outras. Para alguns, lidar com a linguagem é moleza e já com o raciocínio lógico-matemático, uma tortura. Para outros, o contrário. Ainda, há quem não lide com nada disso, mas tenha um domínio e consciência sobre o corpo que são fora da curva. Isso tudo quer dizer que nem sempre uma criança irá começar a ler entre 6 e 7 anos. Pode acontecer antes, pode acontecer depois. E, em ambos casos, não há problemas.

O processo de aprendizagem da leitura – e da escrita – é desenvolvido ao longo dos anos. Tamanha é a sua importância que, nos anos mais tenros da Educação Infantil, desenvolve-se o que se chama de “Letramento”. Trata-se da exposição das crianças ao mundo letrado, ao entendimento que existe um código vigente que serve para expressar-se, deixar mensagens, contar histórias. Aos poucos, os pequenos percebem as letras, suas combinações… daí, o reconhecimento e escrita do próprio nome. Um avanço enorme! Outros, já conseguem perceber que algumas combinações de letras eqüivalem a um som. E que esse som, com outros, forma palavras. A leitura está ganhando forma.

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O mais importante de ser entendido é que, em situações normais de temperatura e pressão, ela acontece. Claro que há um trabalho didático e pedagógico recheado de intencionalidades acontecendo. A leitura não brota. Ela é mostrada e treinada para que se torne fluente. Como a fala. Ninguém nasce falando, mas aprende com o contato e com o estímulo. Existem percalços no meio do caminho. E pode ser que a expressão da linguagem encontre seus obstáculos, mas bem cuidada, seja com as necessidades especiais, seja com a exposição adequada, ela chega. E nunca mais sai.

A leitura é um presente que a humanidade conferiu a ela mesma. Por meio da leitura, temos acesso a todo conhecimento registrado. Sabendo ler, o indivíduo torna-se autor de seu próprio conhecimento, podendo pesquisar, refletir e assim, adicionar. A leitura é a chave-mestra do desenrolar de todo um percurso de aprendizado e pesquisa. Ela desvela histórias, mostra caminhos, conta da vida de quem não podemos mais conversar.

Assim, quem já lê, deve aproveitar ao máximo o presente que lhe fora conferido por uma ou umas professoras. Ou mesmo quem aprendeu sozinho. Quem está acompanhando quem está no processo, não se afobe. É o tempo e a boa prática, por meio de textos significativos que fará com que a leitura ganhe seu espaço e que as crianças percebam seu imenso valor.

A leitura insere socialmente e permite que as pessoas tenham acesso a tudo que desejam saber.

Ler é ter liberdade.

Que ela venha, mesmo que tardia.

Tathy

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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