18 de janeiro de 2018
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Deftones se apresenta hoje no Rock In Rio

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Contratados pela Madonna; música inspirada na Feiticeira Joana Prado, disco que nunca foi lançado… conheça um pouco mais sobre a banda headliner de hoje no palco Sunset do Rock In Rio.

Os californianos do Deftones voltam ao Brasil e se apresentam hoje no Rock In Rio, a primeira vez foi no Rock In Rio de 2001, quando esse que vos escreve quase teve um treco por não pode ir ver esse show, mas felizmente eles voltaram ao Brasil por mais 2 vezes e eu pude conferir essa grande banda ao vivo. Pra quem não conhece, o Deftones faz um som pesado, mas bem peculiar e abrangente com influências de rock 80’s, metal pesado, música eletrônica e até hip hop, com vocais as vezes melódicos e outras vezes bem gritados. É com certeza uma banda diferente!   

Chino Moreno (vocal), Stephen Carpenter (guitarra), e Abe Cunningham (bateria) estudavam na mesma escola e andavam de skate juntos em meados de 1988, e assim como qualquer grupo de amigos que curtiam o mesmo tipo de som, resolveram montar uma banda, acharam um baixista chamado Chi Cheng e gravaram algumas demos.

Diz a lenda que o dinheiro para gravação dessas demos, assim como para comprar os primeiros instrumentos e equipamentos da banda, veio de uma indenização recebida pelo guitarrista Stephen Carpenter por conta de um acidente em que ele foi atropelado enquanto andava de skate. Mas apesar dessa história ter sido contata pelo próprio Carpenter não se sabe se ela é realmente verdadeira, pois o baterista Abe Cunningham mesmo, já comentou em uma entrevista que isso é só um mito.

Mito ou não, o fato é que dois anos depois de lançar a primeira demo, a banda já estava abrindo shows do Korn, que era a banda do momento, e que estava se destacando dentro de um novo estilo de rock pesado que viria a ser chamado de Nu-Metal ou New Metal.

Apesar de ser considerado por muitos um dos precurssores do estilo, na minha opinião o Deftones nunca foi uma banda de new metal. Eu que os acompanho desde o primeiro disco, Adrenaline lançado em 1995 sempre achei que eles estavam um passo a frente de bandas como Korn, Limp Bizkit, System of a Down… enfim, acho que o termo Alternative Rock serve melhor para eles do que new metal (apesar da guitarra de 7 cordas usada pelo guitarrista Stephen Carpenter ser uma característica de bandas que fazem um metal mais pesado). De qualquer forma, o Deftones conseguiu criar um estilo único e autêntico agradando tanto aos metaleiros quanto aos fãs de rock mais alternativo.

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Adrenaline, primeiro álbum lançado em 1995.

O nome da banda é uma espécie de trocadilho Def = surdo + tones = tons, traduzindo ao pé da letra seria algo como “tons surdos”, ou seja o nome da banda não faz muito sentido, deve ter sido uma brincadeira dos caras que acabou soando legal para um nome de banda e acabou ficando. Lembro que a primeira vez que vi esse nome foi quando o Sepultura lançou o clipe da música “Roots Bloody Roots” que foi gravado na Bahia, e o Max Cavalera estava usando uma camiseta com o logo da banda, eu achei que era uma marca de skate ou algo do tipo, mas alguém me disse que era uma banda nova de metal que tinha lançado um disco pela gravadora da Madonna, a Maverick. Isso me chamou a atenção e então fui até a Galeria do Rock, comecei a pesquisar e descobri o primeiro álbum “Adrenaline”. Lembro de ter apreciado muito porque a banda fazia um som que, apesar de pesado, era meio estranho, meio abstrato, e me lembrou um pouco uma banda que eu gostava, o Tool. Descobri também que o disco tinha sido produzido pelo Terry Date, que na época trabalhava com o Pantera, outra banda que eu adorava! Naquela época, início dos anos 90, não era esse “mamão com açúcar” de hoje aonde só precisamos digitar o nome da banda no youtube, você tinha que conversar com vendedores e donos de loja pra conseguir os CDs e muitas vezes tinha que encomendar por uma fortuna.

Em 1997, a banda lança seu segundo disco “Around The Fur”. O álbum segue a mesma dinâmica de “Adrenaline”, com músicas suaves e iradas se misturando. “My Own Summer (Shove It)”, primeira faixa do disco, vira hit de imediato, tocando nas rádios de rock, clip na MTV passando regularmente, e acaba entrando na trilha sonora do filme “Matrix”. Além disso a banda ainda tem o moral de ter a participação de Max Cavalera na canção Head Up, que é uma homenagem a Danna Wells, enteado de Max e amigo da banda assassinado em 1996.

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O vocalista Chino Moreno no festival Maquinaria de 2009 em SP.

Após três anos de muitas turnês ao redor do mundo acompanhado das melhores bandas de metal alternativo, em 2000 o Deftones lança seu maior sucesso comercial: “White Pony”. Neste álbum foi adicionado mais um integrante, o DJ Frank Delgado que ajudou a renovar e inovar o som da banda. O álbum chegou ao número três na parada da Billboard e vendeu mais de 1 milhão de cópias. Esse disco contém uma música chamada “Feiticeira”, que foi inspirada em Joana Prado do extindo programa “H” do Luciano Hulk. Apesar de ainda não conhecerem o Brasil na época, ficaram sabendo do quadro do programa através dos amigos brasileiros do Sepultura e resolveram batizar a música com o nome da personagem. O álbum White Pony foi um fenômeno de vendas e levou a banda ao mais alto patamar do metal mundial conquistando inclusive um Grammy com a música Elite. Em 2001 tocaram no Rock In Rio III e continuaram fazendo vários shows pelo mundo inteiro, o Deftones sempre foi uma banda de turnês longas.

Após o grande sucesso de White Pony, a banda lançou mais 2 discos: “Deftones” (2003) e “Saturday Night Worst” (2006), que eu particularmente considero fracos em relação aos 3 primeiros. Então em 2007 começam a gravar seu sexto álbum de estúdio que se chamaria “Eros”, mas o baixista Chi Cheng que sempre foi muito ativo nas composições da banda sofre um acidente de carro e fica em coma. A banda então decide engavetar o disco em que estavam trabalhando com Chi e recrutam o baixista Sergio Vega da banda Quicksand. Em 2010 finalmente lançam um novo disco entitulado “Diamond Eyes”, já com a participação de Vega como baixista oficial da banda (Chi continua em coma). O álbum tem duas ou três músicas muito boas e é melhor do que os dois anteriores, mas ainda não chama a atenção como a trilogia inicial.

No final de 2012 a banda anuncia seu sétimo álbum de estúdio entitulado Koi No Yokan, e dessa vez conseguem superar o acidente com o antigo baixista e voltam a fazer um ótimo disco. Infelizmente em abril de 2013, Chi Cheng morre após uma parada cardíaca repentina, depois de 4 anos e meio em coma.

O Deftones é uma banda com um estilo próprio no cenário do metal atual e que faz uma música bastante inovadora e “viajante”. Ultimamente tenho percebido bastante influência do “rock gótico” e da “new wave” dos anos 80 no som do grupo, e acho bem legal eles estarem sempre preocupados em renovar seu som. É na minha opinião, uma das bandas mais inovadoras nesta transição do século XX e XXI, que se destaca por fazer um som que sempre desperta curiosidade nas pessoas. Se você ficou curioso, aproveite a mamata e veja o show de hoje no palco Sunset do Rock In Rio a partir das 20h, o Multishow transmite ao vivo.

Sobre Cristiano Boti

Cristiano Boti
Filho da Leninha, pai da Belinha e do pequeno Sam, sãopaulino chato e baterista das bandas Lunatone e Gil Sant'Anna. Designer gráfico formado pela vida com pós-graduação nas ruas de São Paulo. Apreciador de boa música e de bons filmes. Fã de Jorge Ben, Beastie Boys, Tarantino e Chaplin.

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