25 de novembro de 2017
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E se todas as escolas públicas fossem modelo?

Depois de um longo e tenebroso inverno neste espaço, resolvi voltar com um texto que é mais uma reflexão do que uma afirmativa sobre Educação. Fico pensando se ele até caberia em nossa parte PONTO DE VISTA… mas lá é a casa da Babi e acho que ela a faz melhor que eu =)

Mas, enfim… hoje, numa conversa em casa, esta pulga pulou para trás da minha orelha: e se as escolas públicas fossem modelo de educação e prática, como foram no passado ou são atualmente no Canadá, na Finlândia e na Rússia? Quantas pessoas ficariam descontentes com isso? O quanto se investe – direta e indiretamente – para que isso não aconteça mais?

A conversa começou com o B. comentando sobre um vídeo de um Youtuber famoso ligando para números aleatórios na Suécia perguntando se o conheciam. O sujeito é sueco, mas faz seus vídeos em inglês. E o resultado foi que, obviamente, a maioria das pessoas nunca tinham ouvido falar nele – mesmo com os milhões de assinantes que ele tem em seu canal. No entanto, o que nos chamou atenção em relação ao experimento do sujeito, foi que, mesmo atendendo aos telefonemas em sueco, as pessoas travavam conversas em língua inglesa. Fluente. Sem floreios.

O que isso significa? Significa que na Suécia, como em outros países europeus cuja língua nativa só é falada em seu território, as crianças são ensinadas a falar outras línguas desde o Ensino Fundamental. Isso resulta em pessoas com conhecimento de duas ou mais línguas quando chegam ao final do Ensino Médio. Além disso, o ensino nesses países é universal e gratuito de verdade, ou seja, todos os cidadãos têm acesso pleno à Educação. Claro que existem escolas particulares, mas geralmente elas são voltadas ou para estrangeiros, ou para quem deseja uma educação confessional para seus filhos.

Daí, partimos a imaginar: e se as nossas escolas, DE FATO, oferecessem ensino de línguas estrangeiras como nesses lugares? Bom, muita gente ia ficar infeliz… principalmente aqueles que vivem de vender os “diferenciais da educação” em suas escolas privadas – sejam de ensino regular ou de idiomas. Os políticos com suas oratórias demagógicas e sem sentido. Além disso, teríamos pessoas neste país imenso com portas muito mais abertas e não estou falando de oportunidades de trabalho etc e tal. Estou falando de pessoas com acesso à informações que talvez se encontrem apenas em língua estrangeira…

Conhecer outra língua é uma chance maravilhosa de entrar em outra cultura. De compreender como um outro povo, completamente diferente do seu, pensa, acredita, se faz e se forma. A cultura de um povo é representado pela sua língua nativa. Assim, não faríamos estrangeirismos, mas daríamos mais possibilidades de reflexão ao povo.

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Certamente, assim, o governo que lucra com a ignorância de seu povo, também teria um baque significativo, afinal de contas, teríamos pessoas saindo do Fla-Flu social que estamos vivendo, para fazerem reflexões mais aprofundadas e daí, mostrarem mais clareza sobre o que realmente desejam de sua terra.

É claro que isso não acontece do dia para noite. A mudança das chaves da Educação dos países modelo tomou muito tempo e estudo. De pessoas do meio. Ou seja, não por um Ministro ou Secretário da Educação que nunca pisou numa sala de aula como docente, que não entende nada de didática e metodologia de ensino do que quer que seja… Mas de juntas especializadas nos diversos módulos de ensino e de disciplinas que buscam convergir as melhores práticas de ensino para todos. Em nosso amado país, só tem acesso às melhores práticas da educação pública canadense, por exemplo, quem estiver a fim de pagar um bom dinheiro por elas… Oferecer Educação de qualidade – verdadeira – deveria ser a prioridade número um de quaisquer instâncias governamentais. Mas, aí, né… dá uma trabalheira… e quem precisa lucrar com isso, fica onde? Hoje, continua ganhando sobre a ignorância do povo, do trabalho extenuante de professores – tanto da rede pública quanto privada – e de reconhecimento sob um produto que não deveria, sob nenhuma hipótese, ser exclusivo.

A Educação é uma arma muito poderosa. E por isso ela está numa vitrine de um shopping caro demais para a grande população. Um sujeito dono de seu conhecimento é uma pessoa muito mais difícil de iludir, de ludibriar. Talvez, e quem sabe isso não seja uma utopia minha dentro da distopia educacional que vivemos hoje, uma sociedade melhor educada, no sentido mais amplo da palavra, fosse mais igualitária. Não somente em termos sociais, mas de entendimento da realidade que a cerca. Pessoas capazes de pensar sobre o que está acontecendo em seu espaço de chão e entendedoras do que lhes é oferecido é puro paternalismo. Enquanto isso, os professores de Alagoas, por exemplo,  vivem a “lei da mordaça” que pune professores que expõem suas ideias e conclusões aos alunos… para evitar o proselitismo e a “proliferação do comunismo” e a crítica ao atual sistema. Sistema, aliás, que não tem escapatória… Mas, que se fosse amplamente discutido, quiçá tivesse mais soluções humanas e dignas para todos.

Enquanto a Educação estiver nas mãos dos empresários e dos políticos, pouca política e menos lucro ainda para quem está inserido nela. Uma pena.

Tathy

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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