18 de dezembro de 2017
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Educação Bilíngue: por quê sim, por quê não?

Existem muitos estudos que comprovam a validade da educação bilíngue para as crianças. Mais que isso, é praticamente dado pelas pessoas que, aprender um idioma em tenra idade facilita muito o aprendizado e você não precisa, marmanjo, brigar com o verbo to be.

No entanto, a educação bilíngue não está relacionada meramente com a aquisição de um novo idioma. Ela é educação. Ou seja, formação, construção de conhecimentos, generalização de conceitos, socialização. Ponto. O idioma atrelado a ela vem de bônus no final.

Independentemente da língua pela qual a criança seja instruída, em casa ou na escola, a formação pessoal e social se dá pelas vias escolares. Na verdade, no Brasil é obrigado a ser assim. Você não pode ensinar em casa com validação do Ministério da Educação. Logo, ir para escola é o caminho para os primeiros passos no mundo público e social. A questão da língua, torna-se, então apenas uma questão de referência. Assim, se você decide que seus filhos devem ir para uma escola alemã, japonesa, italiana, americana, bilíngue português/inglês, é uma escolha da família. Mas saiba que a referência que o aluno tem será a daquela língua, pelo menos em seu trato social e acadêmico.

Começa o semestre. O que será que tem de diferente na sala? Foto: Tathy Morselli
Começa o semestre. O que será que tem de diferente na sala? Foto: Tathy Morselli

O que eu quero dizer é que:

– Não. A Educação Bilíngue não confunde as crianças. Elas acabam passando por um processo que os estudiosos de Linguística chamam de code-mixing, mistura de códigos, ou seja, ela usa o melhor dos dois mundos, completando na outra língua (materna ou estrangeira) aquilo que ela não consegue com uma delas.

– Não. Não atrapalha na alfabetização. Os processos podem ser feitos de formas diferentes, dadas as escolas onde são aplicados, mas o aluno não fica “cego” ou “surdo” ao outro idioma e em suas instruções de alfabetização.

– Sim. A criança vai melhorando a sua fala ao longo do tempo e da exposição ao idioma. E, quão mais jovens, melhor e mais rapidamente aprendem, porque o idioma torna-se parte de sua vida. Elas não racionalizam esse “aprendizado”, logo, elas estão adquirindo uma segunda língua e não aprendendo um idioma estrangeiro.

– Não, você não precisa falar (insira aqui a língua alvo da educação bilíngue). As referências do aluno vem da escola. Se os pais e familiares já tem o hábito em conversar com a criança em outra língua, então ok. A coisa continua. Caso contrário, os pais é que correm o risco de aprender a língua com os pequenos.

– Sim, é uma forma de educação mais cara, pois além de ter um professor, ele tem de ser fluente na língua inglesa. Por incrível que pareça, é uma seleção bem delicada que as escolas têm de fazer, assim, é um profissional mais caro, pelas especificidades que atende.

– Não. As crianças não vão ficar “perdidas”. O trabalho de atuação em sala de aula, além de colocar o ensino/aprendizagem numa rotina compreensível pelos pequenos, provoca momentos reais e significativos de comunicação de forma que, mesmo que não entendam palavra por palavra, o contexto fica claro e a aprendizagem acontece.

– Sim. É uma escolha completamente da família. Ela precisa acreditar que está fazendo o melhor e buscar uma escola que a satisfaça, pois sem a parceria do trabalho entre pais e professores, escola e comunidade escolar, corremos o risco de criar um campo de batalha que não ensina nada às crianças. Apenas as deixa ansiosas e inseguras. Os pais devem confiar na escola na qual matricularam seus filhos.

Em 16 anos de trabalho na educação bilíngue, eu vi muitos casos lindos de aprendizado e descobertas. Pelas coisas que eles nos contam, pelos livros que começam a ler, pelas hipóteses que levantam, pelas histórias que aprendem a contar, pelas letras que grafam no papel, pelos desafios que vencem. Claro, tem a hora que eles abrem a boquinha e soltam aquele inglês lindo. E que maravilha pensar que junto com isso, vem o crescer deles em bons seres humanos!

Se você tem alguma dúvida em relação a Educação, bilíngue ou não, escreva nos comentários!

Tathy

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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One comment

  1. ¨No entanto, a educação bilíngue não está relacionada meramente com a aquisição de um novo idioma. Ela é educação. Ou seja, formação, construção de conhecimentos, generalização de conceitos, socialização. Ponto. O idioma atrelado a ela vem de bônus no final.¨
    Exatamente isso… estudos e esportes são meio que ligados em relação a criança. Quanto mais cedo você começa a estudar e a praticar, maior facilidade vc terá até a fase adulta. Em termos de aspecto mental e fisicultural, a criança irá desenvolver fala e escrita, força e resistência.
    A criança tem mais facilidade de aprender um outro idioma por não ter tanta informação ou melhor dizer seu cérebro ainda está se desenvolvendo. No esporte a criança tem suas juntas ainda menos travada ou melhor dizer com mais elasticidade e força corporal ainda em desenvolvimento.
    Adorei o texto. obrigado!!!!

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