23 de outubro de 2017
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Então, você quer ser professor?

Texto original, no meu blog pessoal, Vivendo os 30 e tantos .

Muito comumente vemos nos classificados de empregos muitas vagas para professores. Das mais diversas áreas, predominando as de idiomas… algumas vezes de educação infantil e de especialistas (Matemática, Física, Ed. Física etc). De fato é uma profissão que poucas vezes vê crise – claro que tem a questão de remuneração, afinal de contas escolas pagam o que podem (ou o que querem), mas este não é o mérito da questão. O ponto é que existem vagas que precisam ser preenchidas e crianças esperando em salas de aula. Mesmo em relação a concursos: vão haver crianças esperando.

Bem, parece interessante. Você gosta de crianças (adolescentes, adultos… insira sua faixa-etária de atuação aqui) e sente que pode empreender essa carreira, que eu digo: muito prestigiada. Porque, diferente do que parece, ela sim faz toda a diferença.

Então, o que é preciso para ser professora? Experiência sim conta muito, pois ela te dá cascas e estratégias para lidar com diferentes questões que aparecem diariamente. Aliás, a vida de professor tem tudo, menos rotina. Em qualquer área de atuação que seja. Embora estabeleçamos uma rotina para nós e para os alunos, SEMPRE acontecerão coisas inusitadas que irão requerer sua imediata intervenção. Assim, se vc deseja MESMO aplicar-se à docência, vão aqui alguns caminhos das pedras.

1 – Tudo corre para longe do seu planejamento, ainda assim, PLANEJE. Pode parecer bobagem, mas professor tem de estar pronto para tudo. Desde discussões que nada tem a ver com a aula, acidentes em geral, falta dos colegas, falta do material – tudo pode acontecer. Ainda assim, se você já sabe de antemão o que pretende fazer, é o seu traquejo e o conhecimento que tem de onde você quer chegar que ajudam imensamente a fazer a aula fluir e os alunos terem momentos significativos.

2 – A área é sobre você, claro, mas principalmente, sobre os ALUNOS. Como eu trabalho com Ed. Infantil, o bem-estar e o cuidado com as crianças é imprescindível. Elas precisam estar seguras, inclusive para SUA tranquilidade. Observe bem o ambiente no qual você trabalha, preveja o que pode dar errado… não podemos deixar o que não é seguro perto dos alunos. Precisamos lidar com situação de risco. Sem dúvida é importante que eles se arrisquem para ganhar autonomia, porém um adulto responsável não vai deixar que se tomem por perigos efetivos. O mesmo vale para os alunos mais velhos. Embora os professores, em sua maioria especialistas, não estejam presentes em momentos como intervalos ou idas ao banheiro, é importante manter um olhar atento sobre os alunos. Mudanças de comportamento individuais ou movimentos estranhos na sala precisam de atenção e, muitas vezes, intervenção. Assim, olho vivo, afinal de contas, você é responsável por aquelas pessoas e também um modelo em suas vidas. Suas ações podem mudar o rumo de determinadas coisas.

3 – A sensibilidade é fundamental. Conhecer o grupo e saber como ele funciona ajuda muito a traçar planos e mesmo tirar cartas da manga quando tudo mais falhar. De fato, sei que no caso dos especialistas, são muitos grupos, muitos alunos. Ainda assim, é necessário que se tenha um mínimo de empatia para notar e saber o que funciona e o que não funciona. Falta de sensibilidade e empatia podem afundar um semestre inteiro de trabalho.

4 – Organizar-se. E não digo ter uma armário impecável ou uma sala que mais parece ambiente de buffet. Não. O ambiente fala por si e precisa sim ser utilizado das mais diversas formas. Porém, existe uma coisa chamada GESTÃO DE SALA, que nos ajuda a colocar a mão o que precisamos para aquela aula, para que não se perca tempo procurando algo após a proposta ser feita. Alunos instigados e com a mão na massa aprendem muito e precisam do seu apoio para que isso aconteça.

5 – Saiba ainda que os PAIS e as FAMÍLIAS dos seus alunos estão sim nessa jogada. Por mais que tenhamos de lidar com pessoas com as quais não concordamos em atitudes e fazeres, elas ainda estarão ali. Seu discurso e sua atitude precisam estar muito alinhadas para que haja clareza naquilo que eles não concordam e talvez ganhem uma perspectiva. Transparência com todos os envolvidos no processo ensino/aprendizagem é um princípio essencial.

6 – Você não está sozinho. E por mais não haja colaboração de colegas ou da coordenação da escola – o que acontece – existem muitos colegas dispostos a ajudar porque realmente acreditam na profissão e no fazer cada vez melhor. Procure criar um grupo de confiança.

7 – Seja um modelo. Se desejamos que nossos alunos desenvolvam determinadas habilidades e competências precisamos ser o modelo delas. E eles aprendem sim muito pelo exemplo e por aquilo que permitimos ou não que façam. Evidentemente não existe uma sala perfeita onde todos seguirão exatamente o que é planejado ou determinado, e aí, voltamos ao número 3. Não existe uma sala perene. Um comportamento perene. Trabalhar com seres humanos é compreender que coisas podem mudar muito rapidamente e precisamos ter as nossas mentes claras para perceber essas mudanças e agir sobre elas.

8 – Compreenda desafios, mas saiba seu limite. Existem muitas questões que acontecem em sala de aula, ou em reuniões que demandam atitudes, ideias e fazeres. Quantas coisas em grupos diversos desejamos que aprendam e sabemos que, por vezes, somos nós a quem eles recorrem para aprender. PORÉM vão existir momentos nos quais a atuação do professor e da escola são sim limitados. Infelizmente, não somos os salvadores do mundo. O que não quer dizer que desistimos ao primeiro problema. Ao contrário, investigamos e refletimos… aí saberemos bem até onde podemos ir ou não. E saiba: isso tudo cansa a cabeça. Logo, tenha boas válvulas de escape.

9 – Estudo. De acordo com a lei brasileira, professores TÊM de ser graduados. No caso da Ed. Infantil e do En. Fundamental, licenciatura plena – Pedagogia – é o MUST. Não tem como escapar. EU SEI que o diploma apenas garante uma formalidade da área, porém, é na faculdade e nos muitos cursos que aprendemos novas técnicas, assuntos, estratégias. Trocamos ideias, ganhamos perspectivas. Para os especialistas, isso é ainda mais importante, pois suas áreas sempre apresentam novidades e quão interessante não é uma aula com um professor que sabe o que acontece ao seu redor?

10 – Não é uma questão de tapar buraco. Ser professor é como qualquer outra profissão no mundo: vc compreende o que é preciso e tem talento para lidar com o que se apresenta. Um bom (insira aqui a profissão) é um bom (…) porque sabe lidar com o que acontece e porque tem um mente atuando naquela área. No caso aqui é importante conhecer as crianças, compreender sua faixa-etária, saber como aprendem, saber buscar recursos, ter paciência.

Bônus

11 – Você tem de saber que o trabalho do professor não começa nem se encerra na sala de aula. Existe um sem-número de coisas que acontecem antes da aula (planejamento, por exemplo); durante (registros, a aula em si, todos os incidentes que podem ocorrer no mundo) e depois da aula (avaliações, reuniões, eventos). Claro que isso é remunerado de alguma forma, porém também é dado que os 5% de hora atividade que vem no pagamento não cobre tudo que precisa ser feito. Ainda assim, você faz. Porque é seu trabalho e você tem a sensibilidade de saber que se não o fizer, o trabalho não flui. No entanto, no meu caso, não posso reclamar. Muitas das coisas além que eu faço são sentidas de forma tão bacana que não parecem trabalho.

Mantenha a calma. Sempre!
Mantenha a calma. Sempre!

Ser professor é um pacote completo. Quando nós educamos agimos em todo nosso mundo em volta.

E aí, está pronta para ser professor?

Tathy, há 16 anos (e contando) com os cotovelos na janela da docência

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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