18 de dezembro de 2017
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Gordo não tem vez

créditos: imagem google
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Vivemos numa sociedade onde a imagem de uma pessoa e como ela se apresenta diante dessa sociedade é proporcional ao valor que esse individuo tem. E isso é responsável pela criação de um padrão ilógico de beleza, que dita quais as característica físicas que um ser humano de valor deve possuir.

Mas na vida real (aquela que acontece fora da TV e do Instagram),existem pessoas gordas, pessoas magras e pessoas que não se encaixam nessas descrições. E não há nada de errado nisso! Errado mesmo é fazer com que essas pessoas acreditem que só existe um jeito de ser bonito, que só um tipo de corpo pode ser aceito, que só existe uma maneira de ser feliz. E isso é perverso e cruel, porque não somos todos iguais, não somos feitos num molde igualzinho pra todo mundo, porque a gente não escolhe o corpo que quer ter num catálogo,  o corpo não é algo que podemos simplesmente transformar de acordo com a nossa vontade. Existem limitações!

O padrão de beleza está intimamente ligada à magreza, e cada vez mais. Independente do preço que se pague por isso. Mas o argumento que todo gordo já ouviu pelo menos uma vez na vida é:”Só estou falando porque me preocupo com a sua saúde”. Mentira! E a prova disso é que cada vez mais pessoas colocam sua saúde e sua vida em risco em nome do corpo magro, e ninguém se preocupa com isso. Então vamos deixar as hipocrisias de lado e admitir de uma vez por todas que ninguém está preocupado com a saúde de ninguém.

Além do mais, gordura não é sinal de relaxo, de falta de saúde ou de preguiça. Existem fatores que podem ser genéticos, biológicos (alterações metabólicas), ambientais, evolutivos e comportamentais. Assim como existem pessoas que simplesmente são magras, se nenhum esforço. E existem pessoas MUITO disciplinadas que não conseguem emagrecer por uma infinidade de fatores que estão além do seu controle.

A medida que o padrão de beleza vai emagrecendo, a oferta de comida (junk food) vai aumentando, a cultura prega então um padrão de beleza inatingível, mostrando uma contradição de valores. A mesma mídia que  diz que bonito é ser magro, também diz “coma chocolate”, “visite o restaurante x ou y”, “vá ao festival de churros, de sopa, de sorvete, de sanduíche, de coxinha…”, “experimente todas as versões goumert de brigadeiro e hambúrguer…”.

Mulheres são mais suscetíveis ao discurso de enaltecimento do corpo, porque desde muito jovens são ensinadas que o valor pessoal de um indivíduo do sexo feminino reside na aparência. O valor do homem na sociedade está relacionado a poder, dinheiro, influência, intelectualidade. Mas uma mulher que não dispõe de beleza (beleza esta, que possui critérios bem específicos) não dispõe de ferramenta nenhuma para ter um lugar na sociedade. Importante ressaltar que entre os homens também vêm crescendo  os transtornos de imagem corporal e de comportamento alimentar.

Quantos de nós, em algum momento da vida não odiou algo em seu corpo? Até as pessoas mais bem resolvidas já tiveram suas crises. Quando o enaltecimento das virtudes morais deu lugar à manutenção de atributos físicos, o amor próprio, a autoaceitação, a autoestima se tornaram raros e esse é um terreno fértil para a manipulação da mídia, que nós oferece mil e uma soluções milagrosas para sermos aquilo que eles nos disseram que temos que ser.

E contra isso, amor próprio e aceitação da diversidade!

Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

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