20 de novembro de 2017
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Inovar, do que realmente estamos falando?

Dado ao nosso “amigo-secreto” entre colunistas, saí um pouquinho da Educação e da Literatura, para falar sobre Inovação. Claro que, quando pensamos num assunto novo, o nosso acaba querendo aparecer. Assim, palavras acabam saltando à tela.

Fui buscar inspiração para saber no que e como se inova. E achei coisas muito interessantes. Mas, de tudo, foi a ideia de “inovação” que mais me chamou a atenção.

“Inovar” está relacionado com fazer diferente. Isso mesmo. Sair da caixinha. O nosso mundo, hoje, cheio de suas tecnologias, se esquece que o antigo e que os tempos passados tiveram suas doses maciças de inovação, que nos levaram ao que somos hoje. Talvez as coisas tomassem um outro tempo para acontecer, e atualmente, precisamos viver imersos em momentos do que achamos que é inovação ou originalidade. Não. Quando o papel foi feito e a imprensa inventada, uma tremenda inovação cultural aconteceu.

O que eu quero dizer é que não são as mil novidades as quais estamos expostos são inovação. Podem ser jeitos de fazer as coisas de uma forma X ou Y, mas quais delas realmente não são apenas mais do mesmo? E o quanto disso não acabou caindo na banalidade “tecnológica” pelo contexto no qual vivemos?

Não estou, de forma nenhuma, refutando aquilo que passamos. Mas, se gastamos uma palavra como “inovação” para falar de novo da mesma coisa, será que teremos palavras para o que for realmente um divisor de águas?

Ariano Suassuna (1927/ 2014), escritor – falei para vocês que o fruto sempre cai perto da árvore – nos coloca:

Olhe, eu sou um escritor brasileiro (…) se eu admito, se eu uso o adjetivo “genial” com Chimbinha (da banda Calipso), o que eu vou dizer de Beethoven?

Para ver o vídeo da análise de Suassuna sobre o assunto, clique aqui.

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Assim, o meu ponto é que a inovação está sim presente em nosso dia a dia, mas que ela não pode ser dita e celebrada por conta de um novo aplicativo ou de um processador mais rápido. A inovação vive na resolução de problemas reais e em formas que dividem fronteiras no momento de fazer algo que nunca foi feito antes.

Uma dona de casa inova quando ela se vira em 3 na hora de manter uma casa com um salário mínimo. Um professor inova quando ele faz com que alunos compreendam uma dinâmica de estudos que seja significativa e vise a autonomia dos estudantes. Inova quem olha para “o Brasil de sempre” e propõe soluções que realmente ajudem as pessoas a viverem melhor.

A inovação está na palma das mãos de cada um de nós. Quando resolvemos problemas que pareciam impossíveis por meio de uma boa ideia.

Como você, caro leitor, inova em seu cotidiano?

Tathy Morselli, das páginas dos livros para a coluna “Inovação”

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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