21 de janeiro de 2018
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Mai, a Garota Sensitiva

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Estava pensando sobre o que escrever para a coluna desta semana, e de repente me veio um estalo: “Por quê não falar de uma das HQs favoritas da sua infância/pré-adolescência?”. E eis que me veio Mai, a Garota Sensitiva em mente.

Lançada em 1985-86 no Japão e em 1992 pela Editora Abril no Brasil, Mai, a Garota Sensitiva é, na verdade, um título equivocado. A personagem principal não é sensitiva (que seria uma pessoa que tem a capacidade de perceber e ser afetada pelas energias de outras pessoas e ter uma capacidade inata de sentir e perceber intuitivamente os outros), ela é algo muito mais legal: Mai é telecinética, que significa que ela pode manipular objetos com o poder da sua mente (embora na história eles chamem de psicocinésia, mas ‘telecinésia’ é mais apropriado).

Mai-a-garota-sensitiva-04-pag-0271Pois bem, Mai Kuju é uma estudante comum de 14 anos — porque todas as heroínas dos mangás são estudantes comuns… pelo menos a princípio — que esconde seu poderes a pedido de seu amado pai. Mai é o tipo de garota bobinha, que não liga muito pros estudos, fofoca com suas amigas, enfim… faz coisas que toda adolescente normal faz.  Nem se preocupa com o fato de uns homens estranhos começarem a segui-la em seu caminho da escola pra casa; afinal de contas, ela pode usar seus poderes pra alterar as luzes dos faróis e causar um engarrafamento para despistá-los. Mas aí, esses homens estranhos invadem a casa dela e lutam com seu pai, que se revela um excelente lutador de artes marciais. Aparentemente Mai é desejada por uma misteriosa organização internacional chamada Aliança da Sabedoria, que está tentando juntar pessoas com os mesmos poderes de Mai para que eles possam, de alguma forma, usá-los para manter a paz na Terra (lembrando que, como eles são uma organização misteriosa, isso pode ser mentira). E Mai é a garota mais poderosa que eles já viram. Capturá-la virou uma prioridade e, para esse fim, eles fazem um acordo com uma rede de informações underground chamada Agência Kaieda, liderada por um velhinho esquisito, o Senhor Kaieda.

4795-8_pxekc-mai-vol-1-ch-08-pg-169Mai e seu pai então, escapam e vão pra um santuário onde ele conta pra filha que ela herdou seu poder de sua falecida mãe. Claro que os caras da agência Kaieda os encontram, e a partir daí o caldo engrossa. Mai começa a aprender a dominar seus poderes e vai ficando cada vez mais poderosa, e também aprende que coisas terríveis podem acontecer a não ser que ela aprenda a controlar suas emoções.

Por ser um mangá de quase 30 anos, Mai, a Garota Sensitiva acusa sua idade. A arte é naquele estilo old school realista que hoje em dia não é mais popular entre os fãs de mangá, e tudo, das roupas aos penteados, passando pelas referências culturais como Mickey Mouse e Garfield, gritam anos 80. Aliás, os cenários são tão detalhados que isso pesa contra e a favor. Você sempre encontra detalhezinhos super legais aqui e ali, mas ao mesmo tempo as cenas de ação parecem pesadas e confusas.

Os personagens são interessantes, mas superficiais. Mai é a típica adolescente de mangá, então as suas reações a eventos e revelações são previsíveis. Seu pai possui um segredo aqui e ali, assim como o velhinho líder da agência Kaieda. Outros personagens que Mai encontra pelo caminho, como Intetsu e seus colegas, são divertidamente estereotipados. A principal inimiga de Mai, Turm Garten (uma garota alemã que como ela, possui poderes telecinéticos) não é nada a não ser pura maldade sem personalidade. Talvez o personagem mais interessante da história seja um cara-demônio que o Senhor Kaieda mantém numa cela. Que diabos é esse cara, afinal?

maA história é robusta o bastante pra manter o leitor interessado, mas esse papo de ‘organização-secreta-que-governa-o-mundo’ já enjoou um pouco. O lance da telecinésia, porém, é legal o suficiente pra compensar. É interessante ver como aparecem pessoas dispostas a ajudar Mai, ao invés de todo mundo ficar contra ela, como você geralmente vê numa história dessas. Isso adiciona um elemento legal na trama: como as pessoas que se preocupam com ela ganham ou perdem por terem se envolvido.

Não é uma HQ para crianças (embora eu tenha lido com 12 anos, aproximadamente). Tem várias cenas violentas e algumas cenas de nudez cujo único objetivo parece ser mostrar Mai nua (what the fuck, Japão????). Enfim, Mai, a Garota Sensitiva não parece ser o tipo de mangá que seria popular se fosse lançado hoje em dia, mas se você está atrás de algo old school, vai sem medo!

 

 

 

Sobre Bruno Auriema

Bruno Auriema
Ilustrador, publicitário e gamer nas horas vagas, além de fã e desenhista de HQs. Já publicou duas graphic novels no Brasil, além de alguns trabalhos nos Estados Unidos. No ramo dos games gosta de jogos de luta, ação e estratégia, mas tem mesmo uma queda pelos clássicos dos arcades dos anos 80 e 90. Já quando o assunto é HQs, gosta de quadrinhos alternativos e acompanha com muito interesse o que é produzido no Brasil.

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