18 de dezembro de 2017
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O que eu aprendi na Erótika Fair

Erotika Fair

A Erotika Fair é considerada a maior feira de produtos eróticos da America Latina e nós do Amplifique-se fomos gentilmente convidados a visita-la.

Confesso que num primeiro momento, me vesti com todos os meus pré-conceitos e pensei que seria uma feira de pura putaria e que seria um misto de vergonha alheia e diversão garantida.

E La fui eu!

A feira é repleta de brinquedinhos eróticos que causam curiosidade (mas isso nem precisava dizer), roupas, celebridades do mundo pornô e por ai vai. Mas duas coisas me chamaram mais a atenção.

A primeira delas foi o trabalho da ONG Essas Mulheres,  que faz um trabalho muito interessante, sobre sexualidade, deficiência e inclusão social de pessoas com deficiência.

Deem uma olhadinha e vejam que bonito: http://www.essasmulheres.org/

A segunda coisa que me surpreendeu foi a quantidade de palestras sobre sexualidade, educação sexual, feminismo, identidade de gênero e tantos outros assuntos que precisam de discussões sérias e bem embasadas. E foi numa dessas palestras cujo tema era “Educação Sexual” que eu aprendi:

– Que no ano de 2013, 45% das pessoas não utilizaram preservativos nas relações sexuais;

– Que 32% das adolescentes entre os 14 e 20 anos engravidaram pelo menos uma vez;

– Que 23% das adolescentes entre 10 e15 anos já tomaram pílula do dia seguinte, [o que significa que muito provavelmente entram na estatísticas dos 45% que não utilizaram preservativo];

– Que o numero de infecções de Aids entre jovens cresceu 40% de 2006 até os dias de hoje. Sendo que no ano de 2014 ocorreram cerca de 45mil novas infecções no Brasil. Que hoje existem aproximadamente 734mil pessoas convivendo com a doença;

– Que no ano de 2013, um gay ou trans foi assassinado no Brasil a cada 28 horas; E no ano de 2011 128 Transexuais foram assassinados;

– Que 94% (NOVENTA E QUATRO POR CENTO!!!) das mulheres já foram agredidas verbalmente por homens;

– Que existem jovens que iniciam sua vida sexual com medicamentos eretivos, tornando – os dependentes, o que significam que dificilmente conseguirão se relacionar com seus parceiros sem esses medicamentos;

– Que existe uma “roleta russa da AIDS”, que são orgias onde existem participantes com e sem a doença, se relacionando com a finalidade de “correr riscos”;

– Que existem jovens que consomem álcool por via anal e vaginal ;

Então, analisando os dados acima o que é possível verificar é que a educação sexual acontece independente de planejamento. E se pensarmos o tipo de educação sexual que temos hoje no Brasil é uma educação que favorece que os dados acima se tornem realidade.

O que acontece no Brasil hoje é uma educação sexual por omissão e um bom exemplo disso é que independente dos nossos pais terem falado ou não sobre sexo durante a nossa infância e juventude, quando chegou “o grande momento” todo mundo sabia exatamente o que fazer. Mesmo não tendo ouvido falar do assunto na escola ou em casa! Porque somos educados quando assistimos TV, temos contato com as informações, com a internet, na maneira que criamos nossa auto estima, etc. Uma educação sexual emancipatória, planejada, estudada e clara na questão de orientação não está acontecendo e por isso chegamos nesses dados.

Ah!! Aprendi também que mais crianças são vitimas de abuso sexual do que de acidentes de transito (Esse foi o dado que mais me chocou), no entanto passamos a vida dizendo pras crianças pra tomar cuidado ao atravessar a rua, mas nunca falamos com elas sobre sexo ou sexualidade. Passamos a vida ouvindo que se falarmos sobre sexo com as crianças e adolescentes vamos despertar seu interesse pelo assunto e que vão “transar mais cedo”, o que é uma grandessíssima besteira. Quem disse isso nunca foi criança, pois não sabe que o que move qualquer criança é a curiosidade. Precisamos falar sobre sexo com as crianças para que elas saibam identificar quando estão sendo abusadas e que sintam confiança (e não culpa) de relatar o ocorrido.

Por fim, o que eu aprendi com a Erotika Fair? Aprendi que precisamos falar sobre sexo, sem tabus, sem preconceitos e sem generalizações!

Palestra: Pátria Educadora, como vai a vida sexual?
Palestrantes:

Graça Margarete S. Tessarioli – Mestre em Educação, Pesquisadora em comportamento e sexualidade pelo CEPCoS e GPEES–UNESP.

Paula Napolitano – Psicóloga clínica, Pós-graduada em Terapia Sexual pela Faculdade de Medicina do ABC – ISEXP.

– Caroline Arcari – Presidente do Instituto CORES – Centro de Orientação em Educação e Saúde

Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

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