18 de dezembro de 2017
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Os invisíveis do esporte

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Imagine a seguinte cena: o seu time de futebol de coração, ou aquele atleta olímpico do Brasil que você tanto torce, está prestes a ganhar um campeonato importante. Natural acompanharmos algumas notícias previamente e parar pra ver o grande dia da competição. Em caso de vitória – ou até de derrota – aqueles que estiveram na disputa e aparecem na mídia são exaltados – ou crucificados. Mas como é o trabalho dos invisíveis do esporte? Quem são aqueles que não aparecem para o grande público, no entanto são de suma importância para a preparação de um atleta ou uma equipe ao lado de treinadores e preparadores físicos?

Atualmente, toda equipe ou atleta de ponta conta com o acompanhamento de um fisiologista. Formado em Educação Física, Esporte, Fisioterapia ou Medicina, este profissional tem um papel importante no acompanhamento a longo prazo das adaptações funcionais em decorrência do treinamento dos atletas. Ao lado do preparador físico e do treinador, realiza avaliações sistemáticas e constantes durante treinamentos e competições. Além disso, é responsável por executar e analisar todas as variáveis fisiológicas coletadas nos testes físicos e bioquímicos, e a partir dos resultados, auxilia no planejamento do treinamento (volume e intensidade dos treinos) e das estratégias de recuperação após o jogo ou a competição. Entre os principais benefícios obtidos com o trabalho deste profissional, podemos destacar a periodização do treinamento de forma individualizada para cada atleta, diminuindo os riscos de lesões por excesso de treinamento ou falta do mesmo e melhorando variáveis específicas exigidas pela modalidade.

Se não for como fisiologista, o fisioterapeuta pode também desempenhar papel crucial para o desenvolvimento da performance do atleta ou da equipe ao longo da temporada. Abrangendo conhecimentos em ortopedia, traumatologia, esporte, terapia manual e fisiologia do exercício, o Fisioterapeuta Esportivo atua na recuperação e prevenção dos possíveis e comuns acidentes e lesões ligados à prática esportiva. Na tentativa de evitar ou diminuir o índice de lesões, o corpo técnico e médico de equipes estão investindo cada vez mais no trabalho preventivo, com exercícios corretivos de alongamento e flexibilidade, bem como exercícios de fortalecimento e preparo muscular. Contudo, As lesões são comuns no esporte, na maioria das vezes decorrente de traumas ou trabalho excessivo da musculatura, afetando significativamente os músculos, tendões e estruturas ósseas na região acometida. Entre as mais comuns, temos entorses, contusões, luxações, fraturas, distensões, cãibras e tendinites. As principais técnicas utilizadas pelo fisioterapeuta do atleta ou da equipe reúnem a cinesioterapia, a terapia manual, a eletroterapia, a massoterapia, a estabilização segmentar e a bandagem funcional. Para o controle progressivo do retorno à prática esportiva, o treinamento funcional, a musculação e o Pilates são comumente utilizados.

Para ajudar a completar uma comissão técnica multidisciplinar de ponta, não pode faltar um nutricionista. A nutrição esportiva ganhou notoriedade nos últimos anos devido grande necessidade de se buscar novos recursos para melhorar o desempenho dos atletas. Atuando no cotidiano de treinamentos, viagens e competições, o nutricionista esportivo auxilia no monitoramento da composição corporal, organiza e define uma dieta para o treinamento e também para competições, cria e aplica planejamentos de hidratação e inclui auxílios ergogênicos e nutricionais na dieta, além de atuar na conscientização dos atletas em casos de falta de conhecimentos sobre nutrição que podem levá-lo a realizar uma alimentação e nutrição deficiente. No planejamento dietético do atleta ou da equipe, é importante que o nutricionista tenha conhecimentos sobre a modalidade praticada, a fim de direcionar o tipo de dieta e/ou suplementação nutricional dos atletas a demanda específica da modalidade, conhecendo as características de cada individuo, o seu posicionamento e os movimentos realizados durante a sua prática.

Mais recentemente, uma área que vem ganhando grande destaque no staff de grandes atletas e equipes  é a análise de desempenho. O analista de desempenho é o profissional responsável por avaliar indicadores físicos, fisiológicos, biomecânicos, técnicos e táticos. A partir destas avaliações, o analista emite um relatório e o envia para a comissão técnica da equipe, que usará as informações para realizar os ajustes necessários nos treinamentos e competições. As análises realizadas podem ser qualitativas (baseadas basicamente em vídeos de uma partida ou competição onde é possível entender a dinâmica e o comportamento dos atletas) e quantitativas (a partir de números que compõem o scout técnico com dados estatísticos de cada atleta e/ou de uma equipe). Tais análises são realizadas entre a própria equipe, como também dos adversários e até mesmo como ferramenta na captação de novos atletas. Para tal função, embora o conhecimento e o uso de tecnologias seja primordial, o conhecimento acerca da modalidade praticada em questão é de total relevância, sendo recomendado que um profissional do Esporte ou da Educação Física assuma o cargo.

Por fim, e não menos importante (ao menos na opinião deste que vos escreve), está o trabalho do psicólogo. No ramo esportivo, o psicólogo é responsável pela saúde psíquica de um time e desenvolve seu trabalho a partir de uma abordagem das emoções vivenciadas pelos atletas em sua rotina de trabalho. Seu principal objetivo é entender como os fatores psicológicos influenciam a performance e compreender como a participação nessas atividades afeta o desenvolvimento emocional, a saúde e o bem estar de uma pessoa nesse ambiente tão competitivo. Assim como os demais profissionais, é recomendado que para esta função o psicólogo tenha conhecimentos específicos da psicologia esportiva, de biologia, de educação física, dos aspectos culturais da modalidade e do local onde se treina e compete, entre outros. Embora o equilíbrio entre corpo e mente possa significar o caminho para um maior desempenho físico, em muitos esportes – assim como no cotidiano – a psicologia é vista com outro olhar, infelizmente.

Sobre Jorge Fernando

Jorge Fernando
Profissional de Educação Física formado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Mestre pelo Programa Interdisciplinar em Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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