25 de novembro de 2017
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Os resultados do diálogo e da ocupação

Há alguns textos, estamos analisando e comentando o movimento da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo em relação às escolas de Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio. Leia esses textos aqui e aqui.

O fato é que o “tal” diálogo aconteceu. Via borrachão e bombas de efeito moral. A PM, via governo do estado tentou sufocar o movimento de ocupação das escolas e encontrou bastante resistência. Infelizmente, muitos foram feridos. E ficou claro que tipo de conversa o governador está propondo para as pessoas. A Polícia Militar segue ordens. Vindas de um escalão bem alto. De um que disse que havia uma “guerra” entre o interesse do estado – ou da Secretaria de Educação – e os interesses dos estudantes. Os policiais acabaram se tornando “massa de manobra”… talvez porque tenham de cumprir ordens… talvez porque alguns entendam que o melhor meio é a repressão e a porrada… e outros ainda porque foram mal-educados pelo mesmo sistema público de educação que estavam “defendendo”. Sinceramente, acho que os menos culpados são os policiais. Como todos nós, longe dos altos escalões, são postos à mercê das vontades do governador.

Ou será?

armandinho
Tirinha Armandinho, de Alexandre Beck

Os alunos das escolas ocupadas tomaram os problemas em suas mãos. E sem usar de violência, reorganizaram e reestruturam seu ensino, seu movimento e suas escolas. Professores parceiros os ajudaram, empregando sua experiência e sua maturidade. As escolas não foram deixadas ao “deus-dará”. Por alguns dias, o currículo oficial foi abandonado e aqueles jovens deixaram o que “deveriam aprender” para dar chance ao que pode ser aprendido. Aulas sobre feminismo, revolução pela Arte… Sociologia, Antropologia, História, Arte. É por meio desse conhecimento humano é que o humano se conhece e desenvolve.

Lute como uma garota!
Lute como uma garota!

 

Existe sim aí, um ato político. Educar é um ato político. Porque nele se inserem conceitos, ideias, teorias, correntes. É tomar um lado, um partido. A política perdeu seu caráter de negociação e bem viver, de atitudes que são tomadas em prol da sociedade, para tornar-se um jogo partidário, de interesses e dinheiro que não vai para o bem público. Esses alunos não precisam dos pretensos movimentos sociais… precisam de salas de aula, professores e um currículo que aborde o mundo que os cerca para poderem pensar e refletir se precisam e como precisam de partidos, movimentos sociais e protestos. Tudo vem antes. A Educação começa o movimento.

Os alunos aprenderam isso. Não faziam propagando pró-governo ou anti-governo. Apenas expressaram a sua vontade de aprender e de ter garantido o direito que lhes é assegurado, mal e mal, desde 1824, com a primeira Constituição Brasileira. Artigo 179… parágrafos 32 e 33.

O resultado final dessa história toda, pelo menos até agora, é que o secretário de Educação, Herman Voorvald, pediu demissão. O governador do estado suspendeu – e não revogou – a reestruturação escolar, dizendo que abrirá o plano para diálogo em 2016. Talvez o movimento dos estudantes tenha feito a opinião pública mobilizar-se. Afinal de contas, uma coisa é quando a conversa está entre as pontas de uma mesa e outra, quando está nas extremidades de um cacetete.

Ainda, estou aqui imaginando porque essa mudança era tão urgente. O quanto de dinheiro, cargos e influência fizeram os grandes gestores clamarem por guerra. Insisto que a Educação tem de ser gerida por um educador, uma educadora e não por burocratas. Eles sempre vão achar um caminho vantajoso… para eles e não para os alunos.

Não vamos imaginar que o governador está sendo bonzinho. Ele apenas está tentando repelir a máscara de “malzinho” que ganhou nessa história toda.

O que me alegra muito é pensar que os nossos alunos têm condição de pensar e refletir. Pode ser sim que tudo tenha começado com “poxa, vou sair da minha escola, deixar os meus amigos” ou “poxa, vai ficar muito mais longe e muito mais difícil chegar na escola”. Mas, um pensamento puxa o outro. Uma reflexão leva a outra. E é apenas uma questão de refletir um pouquinho para ver que essa reestruturação não faz o menor sentido. Que escolas desse nível de ensino em países como a Finlândia, prima pela convivência dos alunos em duas diversas faixas-etárias.

Como vamos aprender a conviver se ficarmos fechados em nichos, em guetos, em caixas?

Força, gente! A escola é de vocês. A escola é de todos nós!

Tathy

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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