21 de agosto de 2017
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Oshun exalta figura da mulher negra em sua passagem pelo Brasil

No último dia 30 no festival Latinidades em Brasília, se encerrou a passagem do duo Oshun pelo Brasil. A turnê que iniciou nos dias 27 e 28 no SESC Pompéia em São Paulo, passou ainda pelo Circo Voador no Rio de Janeiro no dia 29 de julho.

A dupla Oshun foi formada em 2013 e mistura referências de neo-soul e hip-hop em canções que falam sobre empoderamento feminino, militância negra e espiritualidade. As amigas Niambi Sala e Thandiwe, ambas com 22 anos se conheceram na Universidade de Nova Iorque, e descobriram grandes afinidades musicais e políticas, então surgiu Oshun. O nome é uma homenagem a deusa Iorubá das águas doces, da beleza, do amor e da fertilidade.

O ativismo não fica somente nas letras que trazem referências sobre ancestralidade, política e denunciam o racismo. As duas artistas também criaram um espaço comunitário no Brooklyn em parceria com um coletivo de artistas ativistas chamado Nubian Mafia que promove eventos buscando engajamento da comunidade.

Quem trouxe a dupla Oshun para o Brasil foi a Movimentar Produções, que também está estreando no ramo de agenciamento de artistas e realização de eventos. A empresa surgiu quando Lunna Rabetti, Vanessa Soares, Cristina Dias e Nerie Bento, quatro mulheres negras que atuam em diversas áreas da cultura, resolveram unificar suas empresas e especialidades para criar um projeto mais amplo no ramo cultural e social.

O Show

Assisti o primeiro show dessa turnê do Oshun pelo Brasil, dia 27 de julho no SESC Pompéia e fiquei impressionado. Apesar da pouca idade, as meninas pareciam estar bem a vontade, e demonstraram muita maturidade no palco e domínio total do público. Não é para menos, afinal de contas em sua curta carreira já dividiram o palco com nomes como Erikah Baduh e Joey Badass.

O set list foi composto por músicas do EP “Afahye” (2014) e do álbum “Asase Yaa” (2015), além do single “Not My President” recentemente lançado que logo se tornou hit na cena independente pela qualidade do som e pela crítica contundente as medidas conservadoras do presidente Donald Trump.

Além de serem super simpáticas e interagirem o tempo todo com o público, Niambi e Thandi trazem tanto em suas letras e melodias, quanto no visual, influências de suas raízes africanas sempre exaltando a imagem da mulher negra. A dupla contou ainda com a retaguarda da DJ Vivian Marques que representou nas pick-ups.

O feminismo também é um ponto central nos discursos feitos pela dupla no show. Mas não é um discurso pesado, carregado de revolta, mas sim feito de mensagens positivas cheias de amor próprio que demostram a vontade de influenciar outras mulheres a se amarem por meio da espiritualidade e auto-aceitação.

Minha única crítica ao show foi o tempo de duração que não passou de 1 hora e deixou aquele gosto de “quero mais”. Com certeza essas duas nova-iorquinas deixarão saudades pelas cidades por onde passaram. Confira na galeria algumas fotos da apresentação cedidas gentilmente pela fotógrafa Carol Vidal.

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Sobre Cristiano Boti

Cristiano Boti
Filho da Leninha, pai da Belinha e do pequeno Sam, sãopaulino chato e baterista das bandas Lunatone e Gil Sant'Anna. Designer gráfico formado pela vida com pós-graduação nas ruas de São Paulo. Apreciador de boa música e de bons filmes. Fã de Jorge Ben, Beastie Boys, Tarantino e Chaplin.

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