20 de novembro de 2017
Home | CULTURA POP | Cinema | Papisa Johanna: Lenda ou história ocultada pela igreja?

Papisa Johanna: Lenda ou história ocultada pela igreja?

capa papaVocê sabia que existe uma lenda que diz ter havido uma mulher que chegou ao mais alto poder da Igreja Católica, e se tornou papa?

Durante a Idade Média, que ficou conhecida como a Idade das Trevas, as mulheres eram impedidas de estudar, eram usadas como escravas e até estupradas pelos próprios maridos. Cada região tinha o seu dialeto e a lingua falada pelos cultos era o latim, herdada do Império Romano, que já havia sido derrubado pelas invasões bárbaras. Segundo a lenda, foi nesse período que uma mulher passou a maior parte de sua vida vestida de homem, estudou medicina, foi médica do papa Serguis e tornou-se ela mesma papisa, durante dois anos.

A história da Papisa Joana foi conhecida até o século XVII, quando o Vaticano resolveu apagá-la da história da Igreja. Mas não adiantou, a escritora americana Donna Woolfolk Cross pesquisou, descobriu os arquivos e transformou essa lenda em um livro lançado em 1996. Esse livro foi adaptado para o cinema 13 anos depois no filme Die Päpstin (A Papisa Joana) de 2009 dirigido pelo alemão Sönke Wortmann.

No filme, Johanna von Ingelheim nascida em um pequeno povoado da Saxônia no ano de 814, é filha de um religioso extremista, que sonha em ver o filho mais velho como sacerdote e ignora o talento de Johanna numa época em que as mulheres não podiam sequer estudar e eram muitas vezes tratadas como animais.

A narrativa no início deixa o filme com um andamento meio acelerado e confuso e só começa a melhorar quando entra em cena a ótima atriz alemã Johanna Wokalek que interpreta a papisa já na fase adulta e curiosamente tem o mesmo nome da personagem. O problema da atuação de Wokalek é que ela tem um rosto bem feminino o que impede que ela seja convincente no papel de “falso homem”.

Para entender melhor esse período do filme é preciso fazer uma separação entre religião e igreja, ainda que a primeira tenha originado a segunda. A religião surge como uma forma de conhecimento, na tentativa de explicar os fenômenos desconhecidos que nos rodeiam. O resultado disso é que as primeiras escolas e universidades eram administradas pela igreja, que controlava quem tinha acesso ao conhecimento e ao que era estudado.

goodmanO filme também tem um tom de crítica a igreja, ao retratá-la como um orgão mal administrado e repleto de ações movidas por interesses. Na minha opnião o diretor tenta até ridicularizar o catolicismo colocando o bonachão John Goodman, mais conhecido por seus papéis em comédias, no papel do papa Serguis, antecessor de Johan Anglicus, nome sob o qual Johanna von Ingelheim assumiu o cargo de papa. O ponto forte do filme é a boa interpretação da protagonista, mas o ponto fraco é a relação entre Johanna e o conde Gerold (David Wenham), e o dilema entre seguir seu destino de fé, ou viver seu grande amor.

Embora negue a existência de Johanna e de seu papado, a Igreja Católica reconheceu ambos como verdadeiros durante a Idade Média e a Renascença. Segundo as pesquisas de Donna Woolfolk Cross, foi apenas a partir do século XVII, sob grande pressão do protestantismo, que o Vaticano deu início a um grande esforço para destruir os embaraçosos registros históricos sobre a mulher papa.

História verdadeira ou lenda, trata-se de um bom filme que mistura religião e história, e apesar do roteiro cheio de pontas soltas e a fraca trilha sonora, os cenários são muito bonitos. Não li o livro mas aparentemente o diretor se mantém bem fiel ao romance original. A autora Donna Woolfolk Cross aparece nos créditos do filme como “consultora criativa”, e acompanhou de perto as gravações, que ocorreram na Alemanha e no Marrocos. “Eles precisavam me tirar à força do set no final de cada dia de filmagem. Foi extraordinário observar tanta gente reconstituindo cenas e diálogos que eu havia escrito na solidão do meu pequeno escritório”, declarou a escritora.

Você sabia que existe uma lenda que diz ter havido uma mulher que chegou ao mais alto poder da Igreja Católica, e se tornou papa? Durante a Idade Média, que ficou conhecida como a Idade das Trevas, as mulheres eram impedidas de estudar, eram usadas como escravas e até estupradas…
Nota - 6

6

User Rating: Be the first one !
6

Sobre Cristiano Boti

Cristiano Boti
Filho da Leninha, pai da Belinha e do pequeno Sam, sãopaulino chato e baterista das bandas Lunatone e Gil Sant'Anna. Designer gráfico formado pela vida com pós-graduação nas ruas de São Paulo. Apreciador de boa música e de bons filmes. Fã de Jorge Ben, Beastie Boys, Tarantino e Chaplin.

One comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *