20 de novembro de 2017
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Iñampari - Peru

Peru: Atravessando a Fronteira

Cheio de destinos obrigatórios para um bom mochileiro o Peru era um dos países que me faltavam para terminar minha meta de conhecer toda a América Latina.

Comecei essa empreitada ha alguns anos, com a estratégia de passar um mês por ano em um país vizinho até que conseguisse completar todo o continente sul-americano e posteriormente “subir” no mapa.  Dessa forma já tive a oportunidade de conhecer a Colômbia, Argentina, Uruguai, Bolívia e agora o Peru.

Diferentemente do que costumava fazer, optei por realizar a travessia da fronteira por terra (por motivos financeiros principalmente), o que pra mim parecia bem assustador, pois desconhecia completamente o que encontraria. Nem o Google Streetview me mostrava esse lugar, que eu imaginava ser… Sei lá, cheio de capangas do mal no melhor estilo Machete. Enfim, nunca tinha visto uma fronteira na vida.

Então, saindo de São Paulo, pegamos um voo para Rio Branco – Acre (Sim, o Acre existe!!!) com escalas no Rio de Janeiro e Brasília (O Acre até existe, mas é difícil de chegar!). Nesse trajeto foi um dia inteiro, chegando ao Acre na noite de sábado.  Já havia feito uma reserva em um hotel e conheci uma acreana no voo que nos ofereceu uma carona (primeira impressão do Acre: pessoas gentis!).

Nosso primeiro desafio então era conseguir meio de transporte para chegar à fronteira no domingo (veja bem, domingo é um dia “útil” em SP, no Acre não é bem assim).  Acordamos cedo no domingo, tomamos café da manhã no hotel com se fosse nossa ultima refeição da vida e saímos na esperança de conseguir uma forma de chegar ao Peru. Pegamos um ônibus que nos levou até a rodoviária. Os ônibus disponíveis para fazer o trajeto tinham horários bem limitados e não saiam aos domingos (e eu não estava disposta há passar muitos dias em Rio Branco, visto que meu destino era qualquer lugar além da fronteira com o Peru). A alternativa que nos sugeriram foi um taxi que nos levaria à Brasiléia (cidade que faz fronteira com a Bolívia) e lá trocaríamos de taxi para chegar a Assis Brasil (Fronteira com o Perú). Bóra lá!

Pegamos o taxi imediatamente, quando digo taxi é alguma coisa tipo um “taxi-lotação”, porque o taxi só sai para o seu destino quando todos os seus lugares estão ocupados, então tivemos muita sorte em encontrar um taxi que precisava justamente de duas pessoas para partir. Em três horas de estrada “encrateirada” (esburacada é pouco) chegamos à Brasiléia. De acordo com o taxista que nos levou, chegaríamos lá e teria uma infinidade de taxis só esperando ansiosos para nos levar até Assis Brasil, claro que não foi assim. Não havia ninguém, nada, só uma praça deserta. E agora? Teremos que passar a noite aqui? Não! Há cinco passos encontramos uma rodoviária também às moscas, mas que tinha a promessa de que em duas horas sairia um ônibus ao nosso destino. Bom, às duas horas se transformaram em cinco, mas conseguimos embarcar e chegar a Assis no mesmo dia. O atraso do ônibus nos obrigou a passar a noite na cidade, pois não havia mais transporte realizando a travessia e a Policia Federal, onde deveríamos passar para sair do país, fechava as 19:00hs.

Segundo desafio: encontrar um lugar pra passar a noite e tomar um banho. Essa foi fácil, descendo do ônibus encontramos um casal de hippies mochileiros que nos levaram à hospedagem mais barata da cidade (eu disse mais barata, não a melhor…). Tinha que ser a mais barata! Saímos de Rio Branco com pouco dinheiro e claro que não existia banco em nenhuma outra cidade, era tão previsível quanto a mocinha que cai na corrida do mostro num filme de terror, mas porque não, neh? Sendo a mais barata não dava pra exigir nada. O quarto parecia um banheiro grande com azulejo até o teto. Mas deu pra dormir.  (Mesmo que não tivéssemos encontrado o casal, não existe muita dificuldade em encontrar hospedagem numa cidade de uma rua).

No dia seguinte acordamos cedo, não tinha café da manhã e nem dinheiro (ta vendo? Já sabíamos que o item alimentação ia ser difícil no café da manhã de Rio Branco), corremos na Policia Federal para carimbar nossos passaportes. Tudo pronto pra sair do país, e agora? Todo o dinheiro que tínhamos no bolso eram R$ 10,00 e dólares… Yes, o taxi para atravessar a fronteira custava R$ 5,00 (sobraram reais pra volta!). Entra no taxi, atravessa uma ponte e PERU! Não teve capangas, nem coiotes, nem policia fortemente armada, nem uma fanfarra anunciado a passagem da fronteira, nem uma mísera linha no chão pra dizer “daqui pra lá é Brasil”. Será que metade da ponte é peruana e a outra metade brasileira? Ou será que o Perú começa no fim da ponte? Não sei…

A primeira cidade pós-ponte é Iñapari. A cidade que não possui nada além de empresas que transporte, restaurante barato, casas de cambio não muito confiáveis, uma praça e o posto da imigração peruana.   Passamos então na imigração, trocamos dólares suficiente para chegar na primeira cidade de verdade e nos enfiamos numa van com destino a Puerto Maldonado.

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Iñampari – Peru

A viagem de Iñampari à Puerto Maldonado durou cerca de três horas, mas pelo menos, desse lado da fronteira a estrada é um tapete mágico e lisinho onde nosso van foi deslizando até a chegada da civilização. Em Puerto Maldonado a van nos deixou no terminal de ônibus, onde já compramos passagens para a mesma noite rumo à Cusco. Tínhamos pressa para chegar à cidade pois nossos tickets de entrada em Machu Picchu já estavam comprados e não podíamos perder a data. Como a volta ao Brasil seria pelo mesmo caminho, escolhemos conhecer melhor o Acre e Puerto Maldonado no fim se houvesse tempo hábil.

Sendo assim, a viagem começa de verdade em Cusco , mas essa história vai  ficar pra próxima.

E o que eu aprendi com tudo isso? Que uma viagem acontece mesmo que nada tenha sido previamente organizado e que uma fronteira não tem nada de assustador;

Custos:

Hospedagem em Rio Branco: R$ 150,00 por noite.
Taxi de Rio Branco à Brasileia: R$ 35, 00 por pessoa
Ônibus de Brasiléia à Assis Brasil: R$ 15,00 por pessoa
Hospedagem em Assis Brasil: R$ 25,00
Taxi para atravessar a fronteira: R$ 5,00
Van de Iñapari à Puerto Maldonado:  PEN 30,00

Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

6 comments

  1. Ola tudo bem? estou indo para o Peru no final do ano e como terei pouco tempo, estou vendo os tempos de percurso, será que poderia me passar os horários aproximados que saiu do hotel, rodoviária, Brasiléia e Assis, como tb o tempo de percurso????

    Sabe se este horario a policia é diário ou somente aos domingos???

    obrigado

    • Bárbara Andrade Barioni
      Bárbara Andrade Barioni

      Vamos la! Tente fazer o percurso num dia útil, vc terá bem mais possibilidades. Como fiz num domingo foi todo atrapalhado.
      Saímos do hotel em Rio Branco perto das 11 da manhã, fomos de táxi até Brasileira e esse trajeto dura em torno de 3 horas. Em brasileira vc tem que trocar de táxi ou pegar um ônibus na rodoviária até Assis Brasil. Chegando em Assis não tinha táxi disponível e por isso tive que esperar o ônibus até as 7 da noite, mais pelo menos 2 horas de viagem. De Assis à Iñampari São 5minutos de Torito, Iñamparia á Puerto Maldonado são mais 4 horas, dai só sai ônibus pra Cusco a noite e a viagem é de 12 horas! Em relação à polícia federal… Se não me engano funciona todos os dias em horário comercial. Respondido?

      • Barbara mas existe onibus de Rio Branco a Assis Brasil durante a semana?

        • Bárbara Andrade Barioni
          Bárbara Andrade Barioni

          Existem ônibus de Rio Branco à Brasileia e de lá tem ônibus até Assis Brasil. Os ônibus saem todos os dias, mas os horários são bem limitados (saem em 4 horários se não me engano).
          Acredito que até exista um ônibus direto, mas ACHO que a frequência deve ser menor.
          A proposta do táxi me pareceu mais vantajosa na época pois o custo era equivalente ao ônibus e os horários mais flexíveis.

          Espero ter ajudado, boa viagem e qualquer duvida estou a disposição!

  2. Oi Bárbara!
    Adorei sua aventura!
    Estou planejando voltar para o Brasil desde Cusco a Rio Branco por terra. Você fez essa volta também? Poderia me passar os nomes das empresas de onibus que fazem esse trajeto?

    Agradeço muito desde já!

    • Bárbara Andrade Barioni
      Bárbara Andrade Barioni

      Oi Carolina,

      Então, fiz o retorno por terra também.
      Grande parte dos países da América Latina não tem um sistema organizado de transporte rodoviário… É algo do tipo vc chega na rodoviária e compra a passagem com o atendente que grita mais rsrsrs.
      Então, de Cusco à Puerto Maldonado compramos passagem na rodoviária, existem várias empresas que fazem esse trajeto. Tente pegar o ônibus à noite, assim você dorme e não sente a viagem passar.
      Chegando em Puerto Maldonado, não existe ônibus que faça esse trajeto, então você terá que buscar uma van. Você pode consultar o local de saída da van na recepção do seu hotel, existem várias opções e grande parte delas partem no período da manhã; Essa van te deixará em Iñapari, lá você terá que conseguir um táxi ou um torito para a travessia da fronteira. Essa travessia leva 5 minutos.
      Já em Assis Brasil você pode esperar um ônibus de viagem até Brasileia, ou pegar um taxi-lotação, então, possivelmente você terá que esperar um tempo até que todos os lugares do carro estejam preenchidos. A vantagem do taxi é que ele te deixará já em Rio Branco, evitando a parada em Brasiléia.

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