18 de dezembro de 2017
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Política e religião não se discute

Parece final de copa do mundo, mas é a votação pelo impeachment da presidente Dilma. Uma geração que foi criada acreditando que religião e política não se discutem usa hoje a mesma lógica do futebol para avaliar o cenário político nacional. Coincidentemente a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é uma das instituições mais corruptas do país, mas o povo não liga muito pra isso se o seu time do coração estiver vencendo. No cenário político a situação é a mesma, ninguém se importa se Eduardo Cunha e Michel Temer estão envolvidos em escândalos de corrupção, o que importa é vencer a Dilma.

O jogador do seu time é envolvido com trafico de droga ou armas? Não importa, o que importa mesmo é aquele gol maravilhoso que ele fez na final do campeonato.

A diferença aqui é que no placar do Impeachment quem perde é sempre o povo, porque independente dos resultados da votação desse domingo (17/04)  o país seguirá ingovernável por um bom tempo. Tanto a manutenção de Dilma quanto a ascensão de Temer serão questionadas por setores sociais que não enxergarão legitimidade no processo de impeachment conduzido por Eduardo Cunha. O jogo sujo entre PSDB e PT abriu caminho para que instituições democráticas fossem criticadas e menosprezadas na campanha e depois dela.

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Passaremos então a viver a mesma situação que o futebol brasileiro viveu durante algumas décadas, onde a regra era a “não regra”, ou seja, dependente dos interesses dos poderosos, o chamado “tapetão”. Que é quanto um time perde em campo, mas quer ganhar na justiça. O típico garoto mimado dono da bola.
Os tribunais futebolísticos são recheados de histórias inescrupulosas, onde o time perdedor no campo saiu vitorioso no “tapetão”.

Novamente a lógica do futebol se transfere a política:  Ao se promover o impedimento de mandato a garantia de que o projeto político aprovado pela maioria da população será implementado nos próximos quatro anos, simplesmente se evaporam, sendo o maior problema então essa virada de mesa, tornando o futuro imprevisível.

A falência do futebol brasileiro e o 7×1 na ultima copa do mundo, é sinal da ineficiência dessas medidas, e mesmo assim vamos insistir em implanta-las na política. Se encararmos a votação do impeachment como final de copa do mundo, quem perde é o Brasil.

muro-da-vergonha

 

Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

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