18 de dezembro de 2017
Home | CULTURA POP | Cinema | Procure o Sugar Man você também

Procure o Sugar Man você também

SEARCHING FOR SUGAR MAN, French poster art, Sixto Diaz Rodriguez, 2011. ph:/©Sony Pictures Classics

Em 2006, o sueco Malik Benjelloul resolveu partir do seu país, viajando por América do Sul e África, procurando por “histórias que valessem a pena ser contadas”. Na Cidade do Cabo, entrou na loja de discos de Stephen “Sugar” Segerman, conheceu a história de Sixto Rodriguez, se emocionou e resolveu contá-la para o resto do mundo. Sem qualquer tipo de financiamento, começou a filmar aquela história com um iPhone. O resultado foi o documentário Searchin For Sugar Man, que lhe rendeu o Oscar de melhor documentário em 2013 e fez renascer a carreira de um grande artista que passou despercebido por 25 anos.

A história musical de Rodriguez: sexto filho de imigrantes mexicanos (daí o Sixto), trabalhador da construção civil, grande admirador de Leonard Cohen, Bob Dylan e Henry Mancini, é composta por dois álbuns, “Cold Fact” (1970) e “Coming From Reality” (1971). Os discos recebem boas críticas mas passam despercebidos junto ao público americano. Pouco tempo depois, o músico desaparece.

Segundo conta o documentário, uma americana levou um dos discos de Rodriguez para presentear seu namorado que morava na África do Sul, país que nessa época sofria demais com o isolamento cultural por conta do Apartheid. A música de Sixto então se tornou uma alternativa à artistas como os Rolling Stones ou The Doors. O disco de Rodriguez continha letras de protesto muito inteligentes, o que fez com que o artista caísse nas graças da juventude  africana, principalmente a branca e liberal, e numa África do Sul conservadora Rodriguez acaba se tornando uma voz de rebeldia e esperança. Bandas são criadas influenciadas pela sua música, ele se torna mais popular que Elvis Presley e até artistas cover de sua pessoa aparecem pelo país.

Os africanos, por estarem isolados recebiam poucas notícias do que acontecia no resto do mundo, e ninguém tinha a menor ideia da origem de Rodriguez. O que se sabia é que ele era americano, e além disso corria um boato de que havia se matado no palco durante um show, mas não se sabia se ele teria ateado fogo ao próprio corpo ou dado um tiro na cabeça. A história do suicídio de Sixto tinha várias versões, mas nenhuma confirmada.

sixto-rodriguez-2
Rodriguez no início dos anos 1970.

Todo esse mistério despertou a curiosidade de Stephen Segerman, fã dos discos de Rodriguez que por volta de 1995 resolveu partir em busca de mais informações sobre seu ídolo numa aventura digna de cinema até descobrir seu paradeiro.

Malik Bendjelloul, soube mostrar essa história brilhantemente em seu primeiro e único filme já que ele, ironicamente se suicidou em 2014, após lutar anos contra a depressão. Nascido em Ystad, na Suécia, Bendjelloul tinha 36 anos e foi encontrado morto em sua casa em Estocolmo. Mas antes de morrer o documentarista deu sua parcela de contribuição não só para o cinema mas também para a música, apresentando ao mundo o trabalho desse grande músico que quase teve sua carreira encerrada antes mesmo de começar. Essa é uma coluna de cinema mas pode muito bem servir como dica para a coluna de música, ainda mais se você gostar de um som mais na linha de Bob Dylan, Neil Young ou Simon & Garfunkel. Mas, mesmo se não conhecer nenhum desses artistas, vá em busca do Sugar Man você também porque o som é bom demais!

Em 2006, o sueco Malik Benjelloul resolveu partir do seu país, viajando por América do Sul e África, procurando por "histórias que valessem a pena ser contadas". Na Cidade do Cabo, entrou na loja de discos de Stephen "Sugar" Segerman, conheceu a história de Sixto Rodriguez, se emocionou e resolveu…
Nota - 8.5

8.5

User Rating: Be the first one !
9

Sobre Cristiano Boti

Cristiano Boti
Filho da Leninha, pai da Belinha e do pequeno Sam, sãopaulino chato e baterista das bandas Lunatone e Gil Sant'Anna. Designer gráfico formado pela vida com pós-graduação nas ruas de São Paulo. Apreciador de boa música e de bons filmes. Fã de Jorge Ben, Beastie Boys, Tarantino e Chaplin.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *