23 de outubro de 2017
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Que tipo de sala de aula você quer ter?

Um escrito para os professores =)

Quando se estuda para a docência, muito se fala sobre qual dinâmica de sala gostaríamos de ter. Geralmente as discussões rolam em torno de ter uma sala participativa, que converse, que questione, que dialogue. Na teoria, é excelente trabalhar com um grupo que esteja engajado naquilo que o professor propõe e estuda junto com ele o tópico abordado. Porém, na prática as coisas podem acontecer de outra forma. Infelizmente. Claro que nem todos os professores querem uma sala ativa, porque essa pode ser bastante barulhenta e agitada. Mas… será que tudo isso é necessariamente ruim?

Primeiro de tudo, um grupo ativo não significa ou não precisa significar uma turma desordeira e indisciplinada. Sem dúvidas, cada professor conhece os desafios de seu grupo – ou grupos – e precisa de uma rotina que favoreça tanto a troca entre professor e alunos, quanto alunos e alunos, sem gerar uma balbúrdia. Isso se faz com uma boa gestão de sala. De uma rotina consolidada e de procedimentos claros para todos os presentes. Assim, parte do trabalho do professor, além de organizar-se e planejar-se, é ensinar aos alunos a aprender. A ouvir o que precisa ser ouvido, a ter organização para exporem suas ideias. Sala participativa, não quer dizer, sala bagunceira – embora sempre hajam “aqueles alunos”. Esses precisam perceber, pela postura do professor, que existe um sistema acontecendo e que 22 não podem se prejudicar pela falta de vontade, disciplina ou (insira aqui um comportamento não desejável) de outros 5, por exemplo.

Outra coisa é que a sala de aula, o local, fala. Em alguns estudos pedagógicos, chama-se a sala de aula de “segundo educador”, pois é a sua disposição que conta uma história aos alunos e mostra como podem mover-se e atuar naquele lugar. Infelizmente, hoje, muitas salas de aula são as mesmas de 50, 60 anos atrás. Fileiras de carteiras, lousa à frente, professor num púlpito. Não que isso seja diretamente ruim, mas lembre-se de quando você estudou nessa configuração e se era agradável. Para deixar uma pulguinha atrás da orelha.

Um grupo de alunos que se engaja nas propostas é um grupo motivado. O trabalho do professor é imenso aqui. E não vou dizer que não entendo porque imagino os professores de Ensino Médio com suas muitas turmas de muitos alunos. No entanto, é também um trabalho de formiguinha, afinal, parte da coisa aqui é envolver alunos em assuntos que nem sempre os interessa e que tem sua representatividade no currículo escolar.

Alunos aprendem. De alunos, de professores e transformam tudo isso em conhecimento e experiência.
Alunos aprendem. De alunos, de professores e transformam tudo isso em conhecimento e experiência.

Uma sala de aula, um grupo participativo precisa de combustível e precisa de um professor que saiba que terá movimento e barulho. Como nós precisamos de pessoas em nosso mundo que façam esse mesmo movimento e barulho. Que pensem criticamente e que se exponham. Sem “achismos”, com bases de entendimento e reflexão.

Você, professor, está pronto?

Tathy

PS: conta pra gente, como é a sua sala de aula =)

Sobre Tathy Morselli

Tathy Morselli
Tathy é professora, escritora e tradutora. Estudou Pedagogia e fez pós-graduação em Estudos Literários. Tem uma biblioteca razoável, um Kindle debaixo do braço e sempre uma câmera na mão. Acredita que desassossegar as pessoas leva a visões e pensamentos mais profundos sobre o mundo que nos cerca.

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