25 de novembro de 2017
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Saindo da bolha: um carnaval alternativo no Psicodália

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6500 pessoas em uma fazenda com 500.000 metros quadrados de área verde, curtindo mais de 200 atrações em 6 dias de festival, assim foi  a vigésima edição do Psicodália. Talvez os números ajudem a exprimir um pouco da intensidade e grandiosidade do evento que ocorreu durante o feriado de Carnaval em Rio Negrinho – SC.

Para quem busca uma alternativa ao Carnaval convencional, mas também quer curtir um agito, o Psicodália é uma opção muito rica em possibilidades que abrangem públicos de todas as idades. Artistas já consagrados como Ney Matogrosso, Erasmo Carlos e Sá & Guarabyra se apresentaram juntamente com novos fenômenos como Metá Metá, Liniker e Francisco el Hombre. Além dos shows, a programação do festival inclui oficinas, cinema, teatro, recreação infantil e adulta juntamente com manifestações artísticas espontâneas que pipocam pelos cantos do festival.

Na primeira noite, após o show de Dingo Bells, Sá & Guarabyra animaram o público que ainda estava chegando e se ambientando, com clássicos como “Sobradinho” e “Espanhola”. Após eles, a banda Casa das Máquinas tocou muito rock’n’roll no Palco Lunar. Cabruêra, Black Papa e Pompeu e os Magnatas continuaram noite adentro no chamado Palco dos Guerreiros. Além dos shows, sessões de cinema também aconteciam em uma tenda, e no Saloon músicos se reuniam livremente e viravam a noite tocando e batucando.

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Sábado de manhã, assim como todos os dias seguintes, começa com uma sessão de Yoga às 8:00. Em seguida, inúmeras oficinas foram ministradas ao longo do dia até o sol se pôr: Tai Chi Chuan, Graffiti, Composição, Fotografia e Produção de Licores foram algumas das atividades propostas que enriqueceram o festival e fizeram muitos participantes saírem de lá com algo novo aprendido. Ao mesmo tempo, peças de teatro e performances contribuíam com a programação e o entretenimento da galera, e o cinema exibia filmes e documentários desde a manhã até a madrugada.

Cátia de França realizou uma apresentação emocionante, demonstrando uma grande força por trás da aparência franzina. À noite, a banda curitibana Trombone de Frutas se juntou a Di Melo, o Imorrível , e animaram o palco com muito suingue. Liniker e os Caramelows, uma das grandes revelações musicais de 2016, continuou animando o público com muita presença de palco e entusiasmo, seguido da banda Metá Metá fechando as apresentações no Palco Lunar. A festa seguia noite adentro com as apresentações da Orquestra Friorenta, Charlie & os Marretas e Vulcanióticos no Palco dos Guerreiros.

Não será possível descrever cada uma das diversas apresentações musicais, teatrais, performáticas e artísticas que aconteceram no festival. No entanto, não há como não buscar transcrever um pouco da energia e emoção que a banda Francisco el Hombre transmitiu para o público. O conjunto cativou o público com a sua sonoridade latina, com muito ritmo e batucada, juntamente com letras politizadas e repletas de comentários sociais. Havia uma atmosfera de cumplicidade e sororidade muito intensa em meio ao público feminino durante a canção “Triste, Louca ou Má”, que emocionou muitas pessoas. “Bolso Nada” foi outra música que fez a multidão cantar a plenos pulmões, pulando e afirmando seu descontentamento político através da música. Por fim, “Tá com Dólar, Tá com Deus” deixou o público entoando o refrão após o show e não era raro ouvi-lo pelo resto do festival sendo cantarolado pelas pessoas.

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Mas o grande esperado da noite era Ney Matogrosso, que num show relativamente curto, porém muito intenso, encantou a plateia que lotou o palco principal. Com uma apresentação muito bem produzida e a performance que só Ney é capaz de fazer, interpretou também canções de outros artistas, como “Freguês da Meia-Noite”, do Criolo. E a festa seguia noite adentro, com shows marcados para começar até às 4h30 da manhã.

Num cenário permeado pela exuberância natural, os participantes podiam descansar sob a sombra de alguma das abundantes araucárias que polvilhavam no espaço. O sol expulsava os dorminhocos de dentro das barracas pela manhã e estes podiam dar um mergulho no lago para se refrescar ou enfrentar uma trilha de meia hora até uma linda cascata onde o uso de roupas era opcional. Sim, muitas pessoas aproveitam o festival para desfrutar de liberdades que o cotidiano ordinário não propicia.

 

Na segunda-feira, algumas bandas muito esperadas pelo público se apresentaram. O curitibano Bernardo Bravo iniciou a série de apresentações no começo da tarde. Seu conterrâneo Itaércio Rocha fez todos balançarem e pularem ao som das marchinhas de carnaval tradicionais, acompanhado pelos músicos da banda Paranambuco, que se apresentaram no dia seguinte. A banda sul-americana Perota Chingo tocou para uma plateia apaixonada pelas suas letras carregadas de sentimento. O grupo multi instrumental Iconili fez uma apresentação surpreendente, com a participação de dois músicos substitutos que se juntaram ao resto do grupo somente no aeroporto, mas que tiveram uma sintonia e harmonia impecáveis. O rock’n’roll da noite foi garantido por Erasmo Carlos, que ferveu a galera tocando músicas de toda a sua carreira, em um dos shows mais longos da edição. Os piratas do Confraria da Costa continuaram o show fazendo o público pular e dançar até cair, fechando as apresentações do palco principal. Seguindo a noite no palco dos guerreiros, Relespública, Centro da Terra e a Bandinha Alemã/ Max Jakush divertiram o público madrugada adentro.

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Sob um espírito de muito respeito, amor e tolerância na diversidade de um evento com um público de mais de 6000 pessoas, não houve nenhuma briga durante os dias do festival. Há a presença de seguranças, porém não são muitos porque não há necessidade. A estrutura do festival inclui, além das áreas cobertas dos palcos e as tendas das oficinas e cinema, uma praça de alimentação com uma boa diversidade de opções, bares, lojas de roupas e artesanatos, cozinha comunitária e banheiros espalhados pelas áreas de camping, incluindo banheiros secos que reduzem o gasto de água. Uma tirolesa muitas vezes quebra o silêncio das áreas de camping com alguma pessoa gritando devido à adrenalina de cruzar a área do festival deslizando por um cabo de aço.

Na terça-feira, última noite de festival, os destaques foram para os artistas do Recordando o Vale das Maçãs, Céu e Central Sistema de Som, este último com a participação do artista convidado Gerson King Combo. Mas foi a Bandinha Di Dá Dó, que iniciou sua apresentação as 2:30 da manhã, que fez todo mundo pular e dançar até não aguentar mais. Com direito a vários mosh-pits, que apesar de parecem agressivos acabavam não sendo violentos, fazendo toda a galera se divertir. É claro que a diversão não acabou com o fim do show, no saloon a festa continuava até o amanhecer.

A quarta-feira de cinzas fez jus ao nome e amanheceu cinzenta, no dia mais nublado de todo o evento. Barracas e acampamentos eram desmontados e os participantes se ajeitavam para voltar à suas casas. Telefones e contatos eram trocados, abraços apertados e promessas de reencontros e retornos ao festival que deixa saudade e um espaço carinhoso no coração de cada um que participou das diversas maneiras possíveis.

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Fotos: Gustavo Moura

Sobre Gustavo Moura

Gustavo Moura
Estudante do último ano de arquitetura e urbanismo, apaixonado também por fotografia, música e natureza.

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