21 de agosto de 2017
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Uso medicinal da maconha: Porque Sim?

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Sou contra a liberação do uso de casca de salgueiro para fins medicinais.

O extratos da casca, quando refinado da origem a um medicamento  popularmente conhecido como aspirina, usado para tratamento de dores, febre e inflamações. Mesmo que aceito mundialmente como antitérmico, anti-inflamatório e na prevenção de doenças cardiovasculares, sou contra, afinal de contas há milhares de relatos de pessoas  viciadas nessa terrível droga. Além da dependência, a droga pode aumentar a incidência de gastrites, úlceras gástricas e duodenais, e consequentemente, hemorragia digestiva. Mas isso parece não ficar claro a quem defende o fortalecimento da industria farmacêutica.

Não me importa se por um acaso pode ajudar em alguns tratamentos, acho errado as pessoas se tratarem com essa planta. Em doses excessivas, o salgueiro pode causar irritação no estômago, náuseas, vômitos, erupções na pele, inflamação dos rins e zumbido nos ouvidos!! Imagine só! Não desejo isso pra ninguém.

Esse texto parece absurdo, não? Como alguém pode ser contra um medicamento ou um tratamento desenvolvido de forma controlada? Quem deve concordar ou discordar sobre os efeitos colaterais de um medicamento deveria ser o paciente, orientado por seu medico, não?

Esse texto não pareceria tão absurdo se estivéssemos falando de uma substancia chamada

THC (Tetrahidrocannabinol), componente psicotrópico presente na Cannabis sativa, popularmente conhecida como Maconha.

No caso do THC, componente utilizado no tratamento de distúrbios alimentares associados ao câncer e à quimioterapia do câncer, perda de peso ou náuseas associadas ao HIV/AIDS, alterações do sono e humor  e controle de epilepsias.  No entanto autoridades e médicos alegam que a maconha não é remédio e que apenas alguns de seus compostos podem ajudar pacientes com raras enfermidades. Dizem que o THC não deveria ser usado como remédio por “dar barato” e porque causa dependência.

Durante o Festival Path conversamos com André Kiepper, Analista de Gestão em Saúde e Desenvolvimento Institucional da fundação Oswaldo Cruz.

Segundo Kiepper, a abordagem do uso da maconha para fins medicinais tanto no Congresso Nacional, quanto em pesquisas à população, tem maior aceitação se comparado ao uso recreativo da planta. Sendo para ele um reflexo da nossa sociedade.

O Uruguai, por exemplo criou uma lei com o uso recreativo/medicinal porque o porte para uso pessoal nunca foi proibido. Desde quando a ONU criou as convenções para controle de drogas, (maconha, cocaína e ópio) o Uruguai preferiu atender de forma menos criminal do que a legislação brasileira, por exemplo. Então a sociedade lá já estava preparada há décadas para tratar o assunto de forma mais natural.

André defende a regulação do uso da maconha para fins medicinais, e o estudo de uma forma de regulação para o uso recreativo. “Hoje a legislação existente não resolve o problema. Promover o debate é essencial para que a sociedade possa amadurecer e entender melhor o assunto em pauta.” comentou André durante palestra no Festival Path.

Em sua dissertação de mestrado, Kiepper conclui que a maconha medicinal tem condições de  aliviar sintomas sem curar doenças, o que é conhecido na comunidade médica como “cuidados paliativos”. Esses cuidados tem a finalidade de  melhorar a qualidade de vida através da prevenção ou atenuação de sintomas de doenças ou de efeitos adversos de tratamentos médicos. Esses cuidados incluem manejo de sintomas como fadiga, náuseas, insônia e, especificamente, o alívio da dor.  É recomendada para o tratamento paliativo e complementar de dor crônica ou severa, fibromialgia, neuropatia, espasmo muscular severo ou persistente, artrite reumatóide, aterosclerose, esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson, doença de Alzheimer, glaucoma, náusea severa, câncer e HIV/AIDS associados a náuseas do sistema digestivo,  dependência de álcool, diabetes, hepatite C, lúpus, hipertensão, asma, estresse pós-traumático, transtorno bipolar, ansiedade generalizada e depressão clínica… E mais uma lista imensa…

O que quero dizer com toda essa prosa é que o uso da maconha para fins medicinais é um assunto cercado por preconceitos e achismos que sobrevivem da desinformação. Ainda assim são perpetuados pela repetição. Mexer nesta estrutura exige coragem e responsabilidade.

Coragem pois lidar com preconceitos implica em tornar-se alvo de toda raiva de gente mal informada, reacionária ou mesmo mal intencionada. Responsabilidade porque todos os fatores envolvidos exigem igual atenção. Soluções simplistas constumam acentuar problemas e não trazem nenhum resultado – e nem nunca trouxeram!

Para consultar o projeto Sug8 (projeto que regulamento o uso da maconha no Brasi), clique aqui. E para consultar a dissertação de mestrado do André Kiepper, clique aqui.

Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

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