21 de agosto de 2017
Home | Ponto de Vista | Você não está louca

Você não está louca

não sou louca

Se você é mulher, provavelmente já ouviu coisas como:

– Você é tão sensível!
– Você está exagerando!
– Acalme-se!
– Pare você está pirando!
– Você está louca!
– Eu estava apenas brincando, você não tem um senso de humor?
– Você é tão dramática.
– Você é tão estúpida!
Parece familiar?

Quando se pensa em violência contra a mulher é comum pensarmos em estupro, violência doméstica, restrição econômica, submissão e subserviência. Porém, existem alguns comportamentos machistas que permeiam nosso cotidiano e sequer nos damos conta. Mas trata a mulher com desqualificação, inferiorização e descrédito.

Parte dos casos estão relacionados aos parceiros – quando seu namorado faz algo que você não gosta e ao repreende-lo ele diz que isso é coisa da sua cabeça, por exemplo. No entanto, outros tipos de relações utilizam desse “artificio” – tipo quando você reclama ao seu chefe de sobrecarga de serviço e ele diz que você está exagerando, fazendo drama ou coisa parecida.

Há violência na manipulação emocional e no questionamento da lucides e esse tipo de violência é tão comum, que ganhou até um nome: GASLIGHTING.

Gaslighting é um tipo de manipulação emocional fonte de uma epidemia que define as mulheres como loucas e irracionais, excessivamente sensíveis, desequilibradas e ajuda a alimentar a ideia de que as mulheres diante de qualquer menor provocação perdem o controle de suas emoções.

O termo gaslighting surgiu em uma peça teatral (Gas Light de 1938 – que posteriormente virou filme) onde o enredo diz respeito a um marido que tenta convencer sua esposa de que ela é louca, manipulando pequenos elementos de seu ambiente e, posteriormente, insistindo que ela está errada ou que se lembra de coisas incorretamente quando ela aponta tais mudanças. O título da peça é motivado pela manipulação pelo marido das luzes a gás na casa do casal e quando a  esposa percebe o escurecimento das luzes e discute o fenômeno o marido insiste que ela está apenas imaginando uma mudança no nível de iluminação. Desde então o termo “Gaslighting” é utilizado para descrever a manipulação do sentido de realidade de alguém.

Pode parecer frescura, mas numa discussão entre dois homens não é frequente que um chame o outro de “histérico”, “dramático”ou “surtado”. Isso acontece com mulheres! Esses adjetivos que tentam abalar a sanidade mental do outro são destinados às mulheres, levando-as a acreditar que  que está inventando situações e problemas;

A capacidade da vítima de resistir à manipulação depende de sua capacidade de confiar em seus próprios julgamentos. Por isso queridas, não se enganem, você não está louca. O machismo, assim como o diabo, está nos detalhes.

Sobre Bárbara Andrade Barioni

Bárbara Andrade Barioni
Arquiteta e Urbanista tentando terminar um mestrado, vegetariana, mãe de gatos, viciada em comprar livros e mochileira nas horas vagas. Sente que sua missão é questionar.

Check Also

Conhecimento como antidoto para a intolerância

A partir de uma pesquisa de DNA, uma campanha on line  mostrar que pessoas de ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *